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terça-feira, 4 de outubro de 2011

CHINA: UMA ECONOMIA SOCIALISTA DE MERCADO

Resumo: neste capítulo explicará como um país que antes era invadido por várias potências conseguiu se sobressair e hoje está se tornando uma potência econômica. Mas, apesar desse crescimento é país bem desigual, e poucas cidades se desenvolvem realmente. A China é hoje um país que possui dois sistemas econômicos controlados por um único sistema político. Esse sistema é definido como economia “socialista de mercado”. A China é a economia que mais cresceu no mundo, e os seus produtos invadem todos os mercados. Para entender melhor é preciso fazer uma rápida retrospectiva na historia. Histórico A China é um país milenar, que foi governado por varias dinastias. No inicio do século XX, governado pela dinastia, o país decrescia. O país estava partilhado por várias potencias estrangeiras. Mas, no começo do século XX, surgiu um movimento nacionalista, não a favor da dinastia Manchu é a dominação estrangeira. Sob a liderança de Sun Yat essa revolução atingiu várias cidades do país, e pôs fim ao império e instaurou a republica, em 1912. Foi organizado o partido nacional chinês, sob a liderança de Sun Yat-sem. Apesar da proclamação da republica, o poder permaneceu fragmentado, e o país continuou sofrendo com o caos político, econômico e social. Pequim controlava apenas uma parte do país e mantinha laços com as potencias estrangeiras. Nessa época surgiu uma iniciante industrialização, que com a ajuda de capitais estrangeiros se aproveitava da mão-de-obra barata e abundante. Com a invasão do Japão e a guerra civil esse processo de industrialização foi interrompido. Na primeira guerra mundial os japoneses com apoio de potencias ocidentais, ocupavam a região nordeste do território chinês. As forças revolucionárias ganharam forças e, além de receberem influência da revolução Russa, essas idéias juntaram-se agora aos sentimentos nacionalista e anticolonial que fez surgir, o partido comunista chinês, era 1921, tendo como um dos fundadores Mao Tse-tung. Em 1925, Sun Yat-sem morreu e o partido nacional chinês passou a ser controlado por Chiang Kai-schek. Depois de uma breve convivência pacifica, em 1927 iniciou uma guerra civil entre comunista e nacionalista. Depois de ocorrer a unificação do país em 1928, Chiang Kai-shet passou a liderar o governo nacional da china com mão de ferro. Em 1934, os japoneses depois da invasão na Manchúria, implantaram Manchwero, um país formalmente independente. Pu Yi era imperador desse reino Manchu. Na verdade ele era apenas um imperador fantoche, quem mandava de fato em Manchukuo eram os japoneses, que se beneficiavam de uma das regiões mais ricas em minérios e combustíveis fosseis de toda a china. Em 1937, os japoneses declararam guerra total contra a china. Chegaram a ocupar cerca de dois terços do território chinês. As cidades mais importantes estavam sob o controle do Japão. Neste curto período de tempo os comunistas e os nacionalistas se empenharam em derrotar os invasores japoneses. Assim, após a rendição do Japão na segunda guerra mundial, as guerras civis voltaram a se agravar severamente. Em outubro de 1949, depois de 22 anos de guerra, os comunistas do Espírito de Libertação Popular saíram vitoriosos, liberados por Mao Ise-tung, foi proclamado a Republica Popular da China. Surgiu então a China Comunista. Os nacionalistas se refugiaram na ilha de Formosa, e fundaram a República da China Nacionalista, também conhecida como Taiwan. A china passou a seguir o modelo político-econômico da ex-União Soviética. Politicamente implantou-se um regime político centralizado sob o controle do Partido Comunista Chinês, cujo líder Maximo era o secretário-geral Mao Tse-tung. O estado passou a controlar as fabricas e recursos naturais. No entanto, é bom lembrar que a revolução chinesa foi essencialmente camponesa, visto que na época os operários equivaliam a apenas 0,6% da população. Assim após a revolução a china começou seu processo de industrialização. Processo de industrialização Inicialmente a china seguiu o modelo soviético, e passou a planejar a economia. Em 1957, Mao lançou um plano conhecido como o “Grande Salto à Frente”, que se estendeu até 1961. Em plano visava implantar um parque industrial diversificado e amplo. Para isso, a china priorizou investimento na industria de base na bélica e em outras de infra-estrutura que ajudasse a sustentar o processo de industrialização. Mas, o grande “Grande Salto à Frente” mostrou ser um fracasso. Ao tentar seguir o modelo da União Soviética, a china acabou também sofrendo dos mesmos problemas: baixa produtividade, baixa qualidade, concentração de capitais no setor armamentista e burocratização. O que também ajudou na crise econômica foi a Revolução Cultural maoísta, que consistia em um esforço de transformação ideológica contra o revisionismo soviético, uma perseguição dos contras revolucionários, além de isolamento econômico em relação ao exterior. Após o rompimento entre a União Soviética e a China, houve a aproximação dos Estados Unidos, que foi iniciada com a viagem do presidente norte-americano, Richard Nixon, a China em 1972. Foi nessa época que a republica popular da china entrou na ONU, tornando-se membro permanente do conselho de segurança. Com a morte de Mao tse-tung, em 1976, um novo líder entra no poder, Deng Xiaoping. Os donos deixaram os conceitos de Mao de lado, e iniciou-se um processo de abertura na economia chinesa. Uma nova economia A china depois de passar décadas em estado de “Sono Profundo”, resolveu acorda. Sob o comando de Deng Xiaoping, iniciou-se, a parti de 1978, uma reforma na economia, paralelamente a abertura da economia chinesa ao exterior. Os chineses no poder queriam fazer reformas econômicas para o regime chinês e também justificar ideologicamente a simbiose da economia de mercado com a economia de planificação sob o controle do estado. Era uma tentativa de perpetuar a hegemonia do PCC. Num país em que 70% da população são camponeses, as reformas começaram, é claro na agricultura. Cada família poderia cultivar o que desejassem, embora as terras continuariam pertencendo ao Estado. Depois de entregar uma parte que produzisse ao Estado, poderia vender no mercado o restante. As restrições impostas impediram relações capitalistas de produção, e os preços pagos aos agricultores foram elevados, incentivando aos camponeses. Ao mesmo tempo os consumidores passaram a receber subsídios para adquirir produtos agrícolas. E o resultado foi um notável crescimento na produção agrícola chinesa. Com a reforma na agricultura disseminou-se a iniciativa privada e o trabalho assalariado no campo, aumentando a renda dos agricultores. Houve também uma expansão do mercado interno. A parti de 1982, após o XII Congresso N acional do PCC, iniciou-se a abertura no setor industrial. As industrias do Estado tiveram que se enquadrar à realidade e foram incentivadas a adequar-se aos novos tempos, melhorando a qualidade de seus produtos e abaixando seus preços. O governo também permitiu o surgimento de pequenas empresas e autorizou a constituição de empresas, atraindo o capital estrangeiro. A grande revolução, porém, veio com a criação de zonas especiais em várias províncias litorâneas. As primeiras foram implantadas em Shezen, Zhuhai, Xiamen. Essas zonas econômicas tinham como objetivo atrair investimentos de empresas estrangeiras, que trariam além de capital, tecnologia e experiência de gestão empresarial. Numa tentativa de ampliar suas exportações, a china concedeu quase total liberdade ao capital estrangeiro nessas zonas econômicas, espécie de enclaves capitalistas dentro da china. Em resultado disso tudo, a economia da china cresceu uma taxa media de 9% ao ano nas décadas de 80 e 90. E a província de Guangdond, localizada próxima a Hong Kong, a mais dinâmica do país, crescia em uma media de 12,5% ao ano desde 1979. No período a taxa mais alta do mundo. Mas apesar de ter ocorrido esse “milagre chinês”, nem tudo tem só coisas boas. É preciso também falar da outra face do “milagre chinês”. Além da libertação econômica, um fator fundamental que está atraindo capitais para a china, é o baixo custo de mão-de-obra muito disciplinada e trabalhadora. O Salário mínimo na china é de 25 dólares por uma jornada de trabalho de 12 horas diárias. Na província de Fuyian o salário médio de um operário é 65 dólares, em media por mês, era cerca de trinta e cinco avos do salário médio nas fabricas japonesas. Uma outra face desse “milagre” é o agravamento das desigualdades sociais e regionais, que tem provocado as migrações internas. A cidade de Shenzen, por exemplo, cresceu de 100 mil habitantes em 1979, para mais de três milhões em 1999. Todos queriam ir para as zonas econômicas especiais e as cidades livres de melhores salários. Assim, com base em uma abertura econômica e baixos salários, o mundo foi invadido por produtos chineses. Em 1980, período de inicio das reformas econômicas, a China ficou em 25º no ranking de exportadores, exportando 18 bilhões de dólares. Em 1997, porém o país exportou 183 bilhões de dólares, tornando-se o 10º maior exportador do mundo. A china tem atualmente um parque industrial muito diversificado. Entretanto, tem apresentado um crescimento bem desigual territorialmente, e também setorialmente. As zonas especiais e as cidades abertas crescem muito mais rapidamente, e as empresas privadas e mistas crescem muito mais que os outros. Um dilema chinês é como manter uma irrestrita economia, fortemente controlada pelo Estado e, ao mesmo tempo, um regime fechado politicamente. Essa questão só com o tempo poderá ser resolvida. China: uma potência mundial? A China é atualmente o país que mais cresce no mundo, por essa razão tem se destacado no cenário geopolítico mundial. O país tem exercido grande influência política, militar e econômica no cenário regional e internacional graças a fatores determinantes, como grande extensão de seu território (ocupa o terceiro lugar em dimensão), elevadíssimo número de habitantes (cerca de 1,3 bilhão, o mais populoso do mundo) e dinamismo de sua economia (atualmente é a economia que apresenta maiores índices de crescimento em todo o planeta). O país tem se despontado em razão do modo agressivo de sua aplicação política interna e externa. A política interna está vincula a uma extrema centralização do poder, que se encontra sob os domínios do único partido político do país, o Partido Comunista; que coíbe todo e qualquer tipo de movimento de caráter social (greves, manifestações, discursos, entre outros), caso ocorra, é rigorosamente interceptado pelo uso da força. No âmbito internacional, a China está obtendo maior força e participação nas decisões políticas, tal fato levou o país a usufruir o direito de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organizações das Nações Unidas). Seu potencial militar tem contribuído para o incremento de sua influência internacional, pois o país detém um enorme exército (evidente no país mais populoso do mundo), além de possuir um numeroso e diversificado arsenal bélico, como bombas atômicas e mísseis. O país domina tecnologias espaciais, é fabricante de satélites artificiais e foguetes. Diante desses aspectos, parece claro que a China possui praticamente todos os requisitos para se tornar uma grande potência mundial, senão a maior potência mundial. Diversos estudos apontam que a China, no século XXI, será a principal potência; perspectiva alicerçada no índice de crescimento econômico, e no potencial político e militar do país.

Exercício
1) Em que resultou as guerras civis entre comunistas e capitalistas?
2) Com o plano “Grande salto à frente”, o que a China priorizou, e com que resultado?
3) O que mudou com a criação de zonas econômicas especiais?
4) O que também contribui para os produtos chineses se espalharem rapidamente pelo mundo?

Índios do Brasil

Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente. Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco lingüístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural. A sociedade indígena na época da chegada dos portugueses. O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Sabemos muito sobre os índios que viviam naquela época, graças a Carta de Pero Vaz de Caminha (escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral ) e também aos documentos deixados pelos padres jesuítas. Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum. Os índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza. Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Desta madeira, construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações (oca). A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos. A cerâmica também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos. O urucum era muito usado para fazer pinturas no corpo. A organização social dos índios Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores. Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios. A educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprender. Portanto a educação indígena é bem pratica e vinculada a realidade da vida da tribo indígena. Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta. Os contatos entre indígenas e portugueses Como dissemos, os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho. O canto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequenos número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço. A cultura indígena era considera pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia. Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade. Tupinambás praticando um ritual de canibalismo Canibalismo Algumas tribos eram canibais como, por exemplo, os tupinambás que habitavam o litoral da região sudeste do Brasil. A antropofagia era praticada, pois acreditavam que ao comerem carne humana do inimigo estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos. Desta forma, não se alimentavam da carne de pessoas fracas ou covardes. A prática do canibalismo era feira em rituais simbólicos. Religião Indígena Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados. Porém, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados. Para estes deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte. Principais etnias indígenas brasileiras na atualidade e população estimada Ticuna (35.000), Guarani (30.000), Caiagangue (25.000), Macuxi (20.000), Terena (16.000), Guajajara (14.000), Xavante (12.000), Ianomâmi (12.000), Pataxó (9.700), Potiguara(7.700). Fonte: Funai (Fundação Nacional do Índio).