MEMÓRIA, MIGRAÇÃO E
IDENTIDADE: A NEGOCIAÇÃO DA IDENTIDADE GAÚCHA EM COXIM
MEMORY MIGRATION AND IDENTITY: THE NEGOTIATION OF IDENTITY IN COXIM
GAUCHA
Resumo
Este
trabalho busca esclarecer alguns elementos constitutivos de como a identidade
gaúcha foi constituída em Coxim na segunda metade do século XX e início do
século XXI. Para isso foi necessário fazer uma discussão acerca de questões
metodológicas quanto ao uso da História Oral e revisões acerca dos temas
fronteira, identidade, etnicidade migração e poder. Os estudos sobre os fluxos
migratórios na história recente do país apresentam um quadro social e político
que permite um melhor entendimento sobre a identidade, a partir do processo
migratório e das relações de poder. A investigação feita busca compreender as
práticas e representações que foram selecionadas pelo gaúcho, como
protagonista, aquele capaz de negociar sua identidade nesse espaço e
influenciar as relações socioculturais dos migrantes, sob o viés da apropriação
e de introduzir uma organização social própria e observação das possibilidades
relacionais com o outro.
Palavras-chave: Identidade.
Migração. Gaúcho
Abstract
This paper
seeks to clarify some elements constituting the identity gaúcha was formed in
Coxim in the second half of the twentieth and early twenty-first century. This
required making a discussion of methodological issues regarding the use of oral
history and reviews about border issues, identity, ethnicity and migration
power. Studies on migration flows in recent history have a social and political
framework that enables a better understanding of the identity from the
migratory process and power relations. The investigation by seeking to
understand the practices and representations that have been selected by the
gaúcho protagonist, who is able to negotiate their identity in this space and
influence the socio-cultural relations of migrants under the bias of ownership
and introduce a social organization itself and observing the possibilities
relational with each other.
Keywords: Identity. Migration. gaúcho
Introdução
Neste artigo busca-se esclarecer alguns
elementos constitutivos de como a identidade gaúcha foi constituída em Coxim.
Para isso foi necessário fazer uma discussão acerca de questões metodológicas
quanto ao uso da História Oral. A interpretação da identidade gaúcha em Coxim,
desenvolvida nesta pesquisa, está pautada em tal metodologia.
1.1. História oral, identidade e memória
Alguns elementos de metodologia do
trabalho devem ser explicitados, especificamente, a metodologia da História
Oral. Isto porque (ou recurso que) dá sustentação para as entrevistas que se realizou
com o grupo de gaúchos ligados ao CTG Sentinela do Pantanal e sócios que não
tem a “origem gaúcha”.
A partir de várias leituras sobre a história oral, é que
houve o entendimento sobre essa metodologia usada em vários campos do
conhecimento. Nota-se que não há consenso geral entre os principais teóricos
quanto a sua aplicação, pois segundo Alberti (1997,p. 206), “[...] qualquer
pessoa que queira entender um pouco de história oral não escapa às discussões
de ordem teórico-metodológica e ao reconhecimento de que são várias as
correntes e possibilidades dentro daquele campo”.
A História Oral é um recurso utilizado, muitas vezes,
para “criar” fontes históricas quando não há. Quando, também, para elucidar uma
tese, mas sua abordagem deve partir de objetivos precisos da pesquisa que se está
realizando e esse é o procedimento entendido na perspectiva de Freitas (2002) e
também na de Bom Meihy (2000).
Alguns teóricos consideram que o uso da
história oral e da memória pode revelar possibilidades acerca da experiência
social de determinados grupos ou indivíduos, muitas vezes, negligenciados e
abandonados pelos cientistas sociais. Para Freitas (2002), o papel do
pesquisador é fundamental na história oral, já que sem a sua mediação não
existiria nenhum depoimento, mas cabe ressaltar que, a partir da “[...]
metodologia da História Oral produz-se uma documentação diferenciada e alternativa
à história, realizada exclusivamente com fontes escritas”. (FREITAS, 2002, p. 28).
Porém, não foi à única fonte ou recurso de uma pesquisa, pois o uso do maior
número de material pode enriquecer muito a pesquisa (ALBERTI, 1997, p. 12).
Outro ponto importante
na história oral é quanto à subjetividade, pois ela está presente também nos
depoimentos, pois este representa uma visão parcial do fato.
Há uma discussão, na
história oral, quanto ao “peso” dos depoimentos, já que uma entrevista pode não
ser a opinião da maioria ou representar a memória da coletividade, porém,
alguns autores abordam essa questão de maneira contrária. A memória individual
não é fechada completamente, pois quando o indivíduo busca um determinado fato
passado, ele precisa reportar às lembranças dos outros, busca “referências que
existem fora dele e que são fixadas pela sociedade”. (HALBAWCHS, 1990 apud PEREIRA, 1991, p. 114).
A crítica à História Oral talvez seja em relação à
própria memória, pois a memória muitas vezes pode ser falha e distorcer, “já
que os homens reconstituem o passado com o que eles sabem do presente”
(DUVIGNAUD, 1990 apud PEREIRA, 1991,
p. 114).
Nessa perspectiva, de que a memória é falha, às vezes ela
pode ser reveladora, segundo Pollack (1992) e Alberti (1997), no momento que há
certas distorções nos depoimentos, isso não significa que seja um dado
negativo, mas cabe ao entrevistador refletir e buscar explicações para tal.
Pollak (1992) levanta a questão acerca das distorções e gestão da
memória, pois uma história de vida pode apresentar pontos sólidos como pontos
não sólidos e a partir daí é que se identifica o “verdadeiro” ou, pelos menos,
se aproxima dele, apesar de não existirem verdades absolutas. Como foram
levantados problemas de interpretação, é necessário, que esse cuidado e
observação, deva-se ter ao analisar o processo de constituição das identidades.
Isso é sentido quanto ao uso da entrevista como fonte.
Segundo Pollak (1992, p. 15), é preciso dar a devida importância e observar o
emprego dos pronomes pessoais nas entrevistas, pois são os indicadores
linguísticos que servem para aproximar ou distanciar os fatos ou pessoas. Segundo
o autor, essa possibilidade é “um indicador muito fidedigno do grau de domínio
da realidade” e aponta pontos sólidos ou não da construção da memória.
Mesmo tendo as suas
distorções, a memória é mais uma fonte para se averiguar o porquê de dados
eventos, isto se deve ao fato de que:
[...] ‘peculiaridades da história oral‘ podem
ser mais uma fonte do que um problema. Ouvindo os mitos, as fantasias, os erros
e as contradições da memória, e prestando atenção às sutilezas da língua e da
forma narrativa, podemos entender melhor os significados subjetivos da
experiência histórica (THOMSON, 2002, p. 355).
Por exemplo, para entender algumas
questões como o silêncio dos gaúchos, quando procurados para falar acerca do
CTG e identidade gaúcha em Coxim, pode ser um indício de como algumas questões,
como conflitos sociais, podem estar por trás da não revelação da memória e do
silenciamento dos próprios integrantes do grupo.
Discutindo memória e
identidade, busca-se mostrar que a memória é estruturada na identidade do grupo
e a identidade do grupo é estruturada na memória. (FENTRESS; WICKHAM, 1994).
Segundo Fentress e
Wickham (1994), parte da memória é fato social, pois parte dela são recordações
privadas e pessoais. Isso leva a pensar na divisão da memória em social e
pessoal. A memória em si e por si tem o caráter subjetivo, mas, quando
estruturada pela linguagem e que são compartilhadas por uma coletividade,
torna-se uma memória social. A memória é parte integrante do ser, pois se é
aquilo que se recorda, podendo identificar seja individualmente ou
coletivamente, pois segundo os autores, isso está estruturado nas memórias.
Para o tema memória tem-se, também, o entendimento a
partir da perspectiva de
Candau (2011), que discute o processo de transformação da memória individual em
memória coletiva e, consequentemente, a identidade.
O objetivo principal da obra do citado autor é
analisar as formas de passagem “[...] de formas individuais a formas coletivas
da memória e identidade”. (CANDAU, 2011, p. 11).
O autor apresenta algumas ideias que
estariam presentes “ad nauseam” em
várias publicações relacionadas aos temas memória e/ou identidade. Estes conceitos
de memória e identidade são fundamentais nas ciências humanas, pois, segundo o
próprio autor, existe, de certa forma, consenso de que a identidade é uma
construção social, constante e redefinida em uma relação com o outro (CANDAU,
2011, p. 09).
Candau (2011) dedica parte da sua obra
ao mapeamento de conceitos e questões ontológicas acerca da memória. O autor
estabelece a abordagem da memória em três níveis: sendo o primeiro denominado
de memória de baixo nível ou protomemória, composta pelo saber e pela
experiência mais profundos. O segundo nível é a memória de alto nível ou
memória de lembranças (ou de reconhecimento), que incorpora vivências, saberes,
crenças, sentimentos e sensações; e o terceiro nível é a metamemória que é a
representação que o indivíduo faz da sua memória, é a ligação entre o indivíduo
e o seu passado.
O citado autor discute as diferentes
formas de construção e reconstrução da memória e identidade mostrando o papel
fundamental da memória no processo de construção da identidade. A memória é
fundamental no processo de construção da identidade, mas para ela existir é
necessário estar em relacionamento com o outro, pois, segundo Candau (2011), o
trabalho da memória é sempre coletivo, assim como é impossível dissociar “[...]
os efeitos ligados às representações da identidade individual daqueles
relacionados às representações da identidade coletiva”. (CANDAU, 2011, p. 77).
Portanto, esta pesquisa parte de tais
parâmetros acerca de memória e identidade e da metodologia da História Oral para
entender a identidade gaúcha em Coxim.
1.2.
Negociação da identidade
As migrações internas no Brasil ocorridas na segunda
metade do século XX, são compreendidas pelos deslocamentos inter-regionais e
intrarregionais que aconteceram, possivelmente, a partir da necessidade de
melhores condições socioeconômicas e familiares. E, nesse contexto, o migrante
se configurou como agente transformador de determinados espaços sociais, pois
eles são capazes de evidenciar as características da identidade local e pela
sua condição de migrantes são, muitas vezes, obrigados a negociar sua
identidade. Nesse sentido:
As migrações redesenham o perfil das cidades
e afetam as concepções de pertencimento, alteridade e identidade, mas a
juventude é possivelmente mais capaz de dialogar com a identidade tradicional e
migrante por estar permeada pelos valores da modernidade ou do mundo hodierno,
o que provavelmente acontece em menor incidência com as gerações mais velhas
(ALMEIDA 2010, p. 150).
Situação como essa é bem visível,
quando se fala da identidade gaúcha em Coxim, pelo fato de que, quando
perguntado para os migrantes oriundos do Rio Grande do Sul ou aqueles que são
participantes do CTG Sentinela do Pantanal: a que eles atribuem o declínio do
CTG na cidade? Os migrantes atribuem, de certa forma, ao que se chama de
negociação da identidade que os seus filhos fizeram com a população local,
muitas vezes porque seus filhos foram crescendo e adquirindo hábitos ou
misturando com os da população já existente ou, até mesmo, saindo da cidade,
como se pode conferir em trechos das entrevistas a seguir:
[...] chimarrão os meninos já não gostam, os
meus filhos já não tomam muito, eles gostam do tereré sul-mato-grossense
(ANDRADE[2], 2012).
[...] tinha grupos de danças, mirim, adulto,
e eram contratados professores de dança para dá aula para gurizada, então Coxim
chegou a sediar um encontro nacional, sediou um FEGMS, também que é o estadual
e era muito forte mesmo. Agora o problema é o seguinte, a gurizada se não tiver
o incentivo dos pais vão abandonando, então hoje a gurizada mais jovem não
cultua mais e os mais velhos devido à ocupação, infelizmente (MARQUES[3], 2012).
Portanto, a segunda geração de
gaúchos ou do que seriam gaúchos optaram por uma negociação da sua identidade,
acabaram se integrando aos hábitos da sociedade local. Mesmo porque a cidade
não oferece estrutura em formação e é por esse motivo que muitos deixaram a
cidade para estudar na capital Campo Grande ou em outros centros. Alguns
casaram com pessoas da cidade ou que vieram de outro lugar e não tinha ligação
com a identidade gaúcha, pois a cidade de Coxim recebeu migrantes de várias
partes do Brasil.
Os “migrantes são novos agentes
sociais que, na medida em que se mobilizam ao ’lugar de destino', apropriam-se
e integram o território ao longo do tempo” (ALMEIDA, 2010, p. 154). Os
migrantes gaúchos ao se consolidarem socialmente e economicamente interferiram
nas relações sociais até então estabelecidas. Em muitos casos, essa relação
pode ser de difícil inserção – outsiders –, mas em Coxim, a situação foi um tanto
diferente, não foi necessariamente preciso da afirmação geracional para que se
tornassem estabelecidos, conforme foi
discutido nos capítulos anteriores. Muitos
migrantes atribuem esse fato a hospitalidade da população com os migrantes,
pois nenhum dos entrevistados se queixou da recepção ao chegar a Coxim, ao
contrário, elogiaram bastante a forma que a população os acolheu.
Ao longo do tempo os gaúchos
negociaram com a identidade local, pois mantiveram as suas tradições e foram
acrescentado elementos da cultura local, conforme o relato de uma entrevistada
quando faz referência ao churrasco:
O churrasco daqui é diferente do Rio Grande
do Sul, o churrasco do Rio Grande do Sul tem acompanhamento de saladas, maionese,
mandioca, cuca, aqui o churrasco é a carne, a mandioca, o arroz, o empamonado e
o vinagrete, não é dessa forma que é o churrasco lá, então eu noto hoje que tem
uma interação muito boa e que cada tradição contribui para o desenvolvimento de
Coxim, eu acho que não existe essa rivalidade de que eu sou isso, ou sou
aquilo, eu vejo que há uma convivência muito boa, lógico que cada qual procura
preservar a sua tradição. (CARLING MARTINS[4], 2012).
Assim como é citado por Nodari (2009, p.
107) de que o processo de pertencimento gerou uma dupla lealdade aos teutos que
migraram para o oeste catarinense, pode-se usar esse exemplo para comparar ao
caso de Coxim em relação gaúcho. A renegociação da identidade gaúcha fez com
que surgisse uma nova redefinição para a identidade gaúcha. A redefinição dessa
identidade gaúcha é sentida, sobretudo, na segunda geração de gaúchos (filhos
dos migrantes oriundo do Rio Grande do Sul), pois como afirma um entrevistado:
“A minha filha até os 12, 13 anos não aceitava que era coxinense, falava que
ela queria ser gaúcha e nós insistíamos que não, que ela era coxinense, por ela,
dizia que era matucha, mato-grossense com gaúcha, hoje ela ri, ela fala que ela
é pantaneira” (CARLING MARTINS, 2012).
Ao analisar esse trecho da entrevista é
possível remeter à discussão, tanto acerca da identidade regional quanto da
questão etnicidade, tratado por Nodari (2009). A etnicidade significa que o
indivíduo pertence e é reconhecido pelos outros como integrante de um grupo
étnico. Isso transforma em conceito-chave na análise de integração do migrante
e de seus descendentes. No caso da filha de gaúcho citada, ser gaúcho não é um
“estado de espírito”, mas uma identidade regional que rivaliza e é excludente
com outras, como a de pantaneiro.
Os grupos étnicos não se definem
simplesmente por elementos culturais ou tradicionais, mas como grupo de
interesses, pois a etnicidade serve, nesses casos, como meio de mobilização de
determinadas populações, sobretudo, quando se refere a questões de posições
socioeconômicas na sociedade como um todo (NODARI, 2009, p. 108).
No relato de Carling Martins (2012), a sua
filha passa por essa situação, pois, inicialmente, queria ser gaúcha e com o
passar do tempo ela aceitou ser “matucha” que é parte do resultado da renegociação
da identidade gaúcha com a identidade local. Enquanto que, atualmente, ela se
reconhece como de identidade pantaneira[5]
que é uma identidade que passou por várias renegociações e que parte da
sociedade sul-mato-grossense se intitula como sendo dessa identidade pantaneira,
que possui um forte clamor popular no Estado de Mato Grosso do Sul. Essas
negociações podem ser entendidas:
Os limites dos grupos étnicos, por exemplo,
precisam ser repetidamente negociados, e os símbolos ou tradições étnicas
precisam ser repetidamente reinterpretados. O conceito de invenção permite o
aparecimento, a metamorfose, o desaparecimento e o reaparecimento das
etnicidades (CONSEN et al., 1992, p. 5 apud
NODARI, 2009, p. 109).
A renegociação da
identidade gaúcha, principalmente, dos mais jovens ou dos filhos de migrantes
sul-rio-grandenses depende dos espaços ou territórios, os quais frequentam,
pois “[...]
inserem-se nos espaços citadinos, negociam sua identidade outsider com a identidade dos
estabelecidos” (ALMEIDA, 2010, p. 158).
De acordo com o que
foi relatado na pesquisa de campo e nas observações acerca da identidade
gaúcha, os mais jovens renegociaram a sua identidade em detrimento da
identidade gaúcha e a favor da identidade sul-mato-grossense – pantaneira. Esta
renegociação da identidade remete a projetos de vida e aos campos de
possibilidades como casamentos, negócios e política.
Esses indivíduos que
renegociaram a sua identidade vivem, de certa forma, um papel duplo, pois,
conforme já mencionado anteriormente, de acordo com a necessidade, é acionada
as suas identidades, seja ela pantaneira ou gaúcha. Essa dupla etnicidade
possibilita uma maior adaptabilidade e solidariedade (dos filhos de migrantes
sul-rio-grandenses) aos grupos locais e aos grupos migrantes. Dessa forma,
seria um exemplo de como nesses tempos, para setores cada vez mais amplos da
sociedade, a identidade é líquida (BAUMAN, 2005).
1.3. A constituição da identidade gaúcha em Coxim
[...] o gaúcho é
hospitaleiro e ainda mais longe da querência, uma que faz com que inclusive que
se reúne, existe até uma piada que um gaúcho sozinho não é nada, dois começa
uma roda de chimarrão, três gaúchos fundam um CTG e quatro quebra o Banco do
Brasil. (MARQUES, 2012).
Para entender a identidade gaúcha em Coxim é fundamental
compreender a rede de migração gaúcha e o papel da identidade gaúcha,
como fez Haesbaert (1998) ou,
em outras palavras, o que Kaiser (1999) menciona, pois se denomina de “rede
étnico-regional transnacional, cujo vértice é a região conhecida como pampa
gaúcho”. (KAISER, 1999, p. 98). O conceito de rede é fundamental para que se
entenda a constituição da identidade gaúcha em Coxim, pois não foram as
migrações, o fator principal para que ela acontecesse, mas as redes que foram
estabelecidas a partir dela.
A rede possui uma
característica muito importante que é a de nunca conseguir preencher de forma
contínua o espaço geográfico. Uma rede que se tornasse uma malha tão compacta a
ponto de preencher todo um espaço deixaria de ser rede. É por isso que o uso do
termo se disseminou com tanta rapidez nos últimos anos, num mundo em que a
lógica ’tradicional‘ dos domínios territoriais (que BERQUE, 1985, denominou de
lógica ’areolar‘) é cada vez mais suplantada por uma nova lógica ’reticular‘,
onde uma espécie de ’territorialidade pós-moderna‘ é pautada pela fragmentação
e sobreposição de territórios (HAESBAERT, 1998, p. 63).
As redes sociais no processo migratório ocupam certa
relevância como a construção de base sólida de segurança, confiança, apoio e
sociabilidade e, ainda, informações. A rede social de familiares e conhecidos é
a principal fonte de informação para os novos egressos, assim como o grupo de
espectadores que permanece nos espaços por onde a trajetória perpassa, pois,
percebe-se que:
O conceito de redes enfatiza que essas duas
esferas entram em contato e se concretizam no interior de uma trama de relações
pessoais, através das quais fluem as informações sobre trabalho disponível. São
as relações pessoais que determinam quem partirá e tomará tal trabalho. A
informação não é concebida como um bem livre: os indivíduos compartilham e
dispõem de informações limitadas, sempre dependentes de sua rede de relações
(TRUZZI, 2008:210 apud DESCONSI, 2011,
p. 183).
Portanto, as redes reforçam a constituição de identidades
étnicas, a partir da relação que se tem com diversos outros grupos, pois,
segundo Kaiser (1999), as pessoas mantêm seus vínculos com os lugares de origem
e suas tradições, mas sem a pretensão de retorno, como é o caso de um
entrevistado:
Quando eu me mudei pra cá, eu disse pra minha
família lá no Paraná, eu disse pra minha mulher que eu estava escolhendo um
lugar onde eu deixaria meus ossos e pelo menos até agora a ideia fixa ainda é
essa, porque eu não pretendo me mudar daqui, não pretendo sair, pretendo
continuar aqui até terminar. (MESSIAS[6], 2012)
Para Fazito (2002), as redes sociais
são instituições invisíveis, no qual o migrante se contextualiza, pois elas
influenciam os grupos ou indivíduos a se adequar a sistemas específicos, sobretudo,
em uma análise relacional no processo migratório. A abordagem sistêmica das
redes sociais, no contexto migratório, torna essas redes em conexão do sistema
migratório, combinado com a possível análise estrutural dos locais de expulsão
e atração. Não cabe aqui efetuar toda essa análise do processo migratório,
basta indicar a existência da rede, como expresso no excerto a seguir:
Eu tinha um irmão
aqui, tenho até hoje que mora, e ele havia me feito um convite pra vir
trabalhar com ele, pois ele tinha uma revenda, e me chamou atenção e em 1978 eu
vim conhecer o Mato Grosso do Sul, vim até Rio Brilhante e Campo Grande e em
1980 eu vim a Coxim, olhei Coxim, cidade feia e em 1984 resolvi largar mão de
ser bancário e vim enfrentar uma vida diferente, daí vim parar aqui (CENTENARO[7], 2012).
A partir do trecho da entrevista, observa-se a rede que
foi estabelecida, pois, inicialmente, veio o irmão para, em seguida, vir para
Coxim, mesmo sendo uma cidade “feia” que não oferecia nada na época. O contato que
esse migrante tinha foi por meio do irmão e isso possibilitou a sua vinda para
Coxim. Outro fator importante, nesse processo de constituição das redes, é a
aplicação da mesma.
As Redes Sociais e a sua aplicação é
possível por intermédio de dois caminhos, sendo o primeiro que os fluxos
migratórios acontecem entre duas ou mais regiões e a relação dos indivíduos com
a região. O segundo caminho é o da interação entre os migrantes, não migrante e
“instituições”. Este último é aquele que constitui as redes sociais, pois a
rede é um instrumento de avaliação das estruturas e a sua relação com os atores
(FAZITO, 2002, p. 14).
O autor supracitado coloca que rede
social na migração é diferente de rede migratória, pois a primeira está ligada
ao conteúdo da rede social e suas relações sociais, já a segunda é um tipo de
rede social.
Segundo Tilly (1990 apud FAZITO, 2002), as categorias são
moldadas no destino, mas pode ser que não seja somente no destino, mas no
processo de estabelecimento em determinados espaços, e, principalmente, a
partir da relação com o outro, por isso, é importante saber sobre a necessidade
da rede, como que é estabelecida antes, durante e depois do processo
migratório, conforme se observa em relatos dos migrantes em Coxim:
Eu até me dei muito bem, pois a gente tem um pouco de facilidade em ter
amizade [...] eu gostava muito de jogar futebol, cheguei aqui, já comecei a
jogar futebol, então você começa a ter entrosamentos um pouco mais assíduos, e
nos tínhamos uma turma de gaúchos que morávamos aqui, apesar de poucos, mas
praticamente todos os finais de semana, se iam no almoço estava todo mundo, era
bem maior o convívio dessa turma, o entrosamento, do que hoje, hoje cada um
vive pra si, uns saíram, outros ficaram, cada um na sua casa, uma coisa bem
diferente, naquela época não, todos os fins de semana você ia no restaurante,
tava toda a gauchada lá, então... dias de semana vinham esses produtores que
moravam em Sonora, moravam na fazenda, pessoal vinham pra cá, ah... vamos
almoçar todo mundo junto e nisso a gente se ia almoçar lá e se reunia 10, 20
pessoas lá no próprio dia de semana, então essas coisas foram facilitando o
convívio e estamos aí até hoje (CENTENARO, 2012).
Nota-se que a rede aqui foi construída após a chegada
desse migrante e que é composta por uma elite fazendeira. Percebe-se que o
ponto de convergência desse grupo está em um determinado espaço geográfico,
idealmente, ao Rio Grande do Sul e na prática a espaços de sociabilidade ou
atrelado a algumas atividades sociais como o futebol e o ato de ir ao
restaurante nos fins de semana. Mantendo a relação de entendimento, afirma-se
que:
1)
Rede
social consiste no conjunto de pessoas, organizações ou instituições sociais
que estão conectadas por algum tipo de relação. Uma rede social, em virtude do processo
em torno do qual ela se organiza, pode abrigar várias redes sociais; 2) Rede
pessoal representa, então, um tipo de rede social retida que se funda em
relações sociais de amizade, parentesco etc. (SOARES, 2002, p. 12).
Em Coxim, a rede social
dos gaúchos é marcada pela amizade e pelo entrelaçamento de algumas famílias e
o CTG, pois inicialmente o migrante gaúcho tem como ponto de convergência o Estado
do Rio Grande do Sul e, aos poucos, outros elementos vão integrando essa rede,
que é o espaço de representação, nesse caso, a instituição CTG, pois junto com
os migrantes também se deslocam as suas relações, ou parte
delas (DESCONSI, 2011, p. 180).
O migrante sul-rio-grandense carrega
consigo o “mito Gaúcho” como homem da fronteira, pois o discurso do gaúcho, os
conflitos e revoluções, a formação étnica do gaúcho e diáspora e o seu
relacionamento com os outros são pontos que agregam e ajudam a formar a sua
rede social, não somente a social, mas uma rede etnorregional gaúcha, conforme
indica o seguinte autor:
Os gaúchos fora do
Rio Grande do Sul partilham um conjunto de práticas e representações expressas
no ‘ser gaúcho’. Este sistema é baseado em valores de pertencimento comuns
fincados no tipo regional de homem da fronteira e em costumes e valores ligados
à região da Campanha. Ou seja: quando constroem uma identidade social em
comparação com a população local de seus novos locais de moradia, é recorrente
o uso do passado rural do Rio Grande do Sul e da figura mítica do gaúcho como
diacrítico para estabelecer distinções. (KAISER, 1999, p. 60).
Portanto, a partir de observações feitas nas entrevistas
realizadas com migrantes, que são reconhecidos e se reconhecem como gaúchos e
do entendimento do que são as redes sociais e a rede etnorregional, pode-se afirmar
que os gaúchos, em Coxim, são um grupo que conseguiu estabelecer uma rede
social e se porta como um grupo étnico, sendo que os elementos diacríticos da
formação da identidade gaúcha em Coxim, não fogem daquilo que tem apontado em
outros estudos já realizados. Como exemplo desses elementos diacríticos, retoma-ser
a discussão sobre o “trabalho”.
Como já se
argumentou, o trabalho é um elemento tomado como diferenciador entre o gaúcho e
os demais, “pois dos vários elementos diacríticos para a identidade gaúcha, que
marcam a fronteira entre Nós e o Outro, o trabalho é um elemento central”
(CARVALHO, 2012, p. 126). A questão do trabalho é um elemento que está presente
em várias pesquisas acerca da identidade gaúcha fora do Rio Grande do Sul, pois
pesquisas como a de Rocha (2006) realizadas na cidade mato-grossense de Lucas
do Rio Verde, mostra esse elemento de identidade gaúcha como empreendedores e
são legitimados pelos seus pares. A pesquisa de Carvalho (2012) também aponta
para a mesma questão:
Que, enquanto grupo étnico, recebe adesões
não apenas de sul-rio-grandenses e seus descendentes, mas de outros grupos.
Apesar de nem todos os gaúchos serem fazendeiros, bem pelo contrário, a
identidade gaúcha no Estado de Mato Grosso é associada ao establishment.
Mas, independente de serem patrões ou empregados, a adoção do trabalho como uma
característica para demarcar a fronteira entre o Nós e o Outro contribui para
impelir tanto aos gaúchos como aos Outros em direção de uma ascese do trabalho,
na qual tempo é dinheiro, e trabalho é igual a produção de riqueza pecuniária
(CARVALHO, 2012, p. 125).
Gaúcho é o grupo que se autorrepresenta como
trabalhadores e, em grande parte, os demais como preguiçosos como se pode
observar, a seguir, na entrevista com um migrante sul-rio-grandense:
O que não se pode é deixar de frisar é que com a chegada do gaúcho a
evolução foi grande, o gaúcho veio aqui, o gaúcho começou a abrir fronteira,
abrir áreas e onde o pessoal ficava muito de olho [...] eles quando viram os
gaúchos chegarem aqui, um gaúcho sair às 04 horas da manhã para ir à fazenda
pra voltar e trabalhar as 08 horas isso aí era inadmissível, os caras fazer
isso, os caras são loucos, então sempre nossa meta foi vê o dia de amanhã,
depois, enxergar mais longe... a mentalidade do pessoal daqui, a deles é viver
hoje, o que interessa é o hoje, se ganhar mil reais hoje e gastar mil reais
hoje tá de bom tamanho, e para nós gaúcho é diferente, sabemos se ganharmos mil
hoje, amanhã ou depois, podemos ficar três dias que não vamos ganhar e nós
vamos manter isso aí, porque futuramente vai fazer falta pra nós, então essas
disparidades é que tem muito aqui, com a nossa chegada começou coalhar muita
coisa, aí o gaúcho começou a fazer, começou a adquirir capital e botar coragem
nas coisas, fazer isso, fazer aquilo e muita gente começou a se espelhar no
gaúcho, que viram que no gaúcho passou a ser um incentivo para eles e não só a
região de Coxim, mas se nós pegarmos todo Mato Grosso do Sul, Maracaju hoje é
gaúcho, Chapadão do Sul é gaúcho, São Gabriel (do Oeste) é região de gaúcho,
quer dizer tudo foi alavancado em função que veio gente de fora com uma visão
diferente da deles (CENTENARO, 2012).
A
associação de trabalho e gaúcho é algo muito presente e relevante na identidade
gaúcha em Coxim, pois as entrevistas levam a essa conclusão: de que o trabalho
é um elemento diacrítico da identidade gaúcha. O que, segundo Carvalho (2012),
é uma forma de deslegitimar o Outro na tentativa de implantar uma lógica
produtivista, típica da sociedade industrial. Essa ideia é também exposta por
Kaiser conforme se pode observar:
Os gaúchos se veem
como empreendedores que levam a civilização e o desenvolvimento onde se instalam,
criando empregos e novas oportunidades. Sua presença em regiões fora do Rio
Grande do Sul intensificou-se nas últimas décadas. Ganhou dimensão
transnacional e visibilidade nacional. Recentes reportagens publicadas na
imprensa brasileira registram a presença gaúcha em quase todos os Estados
brasileiros, seja pela sua participação social e econômica, seja pela criação
de CTGs em outras localidades no Brasil e exterior, como nos Estados Unidos,
Japão e América do Sul (KAISER, 1999, p. 51).
O
trabalho é o elemento no qual está alicerçado a identidade gaúcha,
principalmente, o trabalho ligado à agricultura, “[...] e onde existir um
chapadão e terras agricultáveis pode ter certeza que lá vai ter um gaúcho” (MARQUES,
2012). O trabalho é um elemento delimitador da fronteira entre o Gaúcho e o
Outro.
Para
tanto, buscou-se mostrar como a identidade gaúcha está estabelecida em Coxim,
sem a pretensão aqui de fazer um inventário de elementos diacríticos. No item a
seguir, buscar-se-á retomar alguns elementos da negociação da identidade gaúcha
em Coxim, agora a partir do CTG Sentinela do Pantanal.
4.4. A identidade gaúcha,
CTG sentinela do pantanal e o establishment
A identidade gaúcha em Coxim foi permanentemente
renegociada. O CTG que simbolizava a expressão máxima dessa identidade é um bom
lugar para perceber isso. Como já citado, antes da fundação do CTG Sentinela do
Pantanal, em 30 de outubro de 1988,houve a proposta de criação de um Centro de
Tradições Brasileira, portanto, com uma proposta mais ampla e não vinculada
diretamente a identidade gaúcha.
Ao analisar a questão, como já
argumentado, pode-se buscar algumas explicações para a identidade gaúcha em
Coxim. O fato de ter sido fundada uma instituição abrangente, mas, no entanto,
não se consolidou, já que, segundo o entrevistado a seguir, o grupo denominado
genericamente de gaúchos estava mais organizado e isso pode associar a ideia,
principalmente, de uma rede etnorregional consolidada. Outra possibilidade de
não ter consolidado a ideia inicial do Centro Brasileiro de Tradições
Brasileiras é a relação desse grupo com os demais, que apesar de ser lembrada
como harmoniosa, implicava em confrontos.
Entre alguns exemplos de uma situação de
confronto, relatada por muitos participantes do CTG Sentinela do Pantanal,
relaciona-se a sua inauguração. Neste momento, os dirigentes haviam se
organizado para que o idealizador do CTG em Coxim pudesse arrematar a primeira
dança do salão, mas, em meio ao leilão, apareceu um participante do baile, um
advogado nordestino e arrematou a dança.
No entanto, quando chegou ao final do baile, o participante que arrematou
a dança tinha que acertar o pagamento, mas não
teve dinheiro para bancar tal dança. Então, reuniram-se vários sócios do
CTG e alguns amigos do advogado para resolverem a situação. No desfecho, os
amigos e sócios do advogado fizeram uma “vaquinha” para pagar o débito da
primeira dança do salão do CTG de Coxim.
Outro exemplo de como o confronto com o Outro
é constituidor da identidade é o próprio nome do CTG, como apresentado no
relato que segue:
[...]
o nome do CTG de Coxim de CTG Sentinela do Pantanal, devido o gaúcho ser
acusado de destruir, sobretudo os de São Gabriel do Oeste, o nome tenta
conscientizar a gurizada a respeitar o pantanal, as questões ambientais, por
isso o nome Sentinela do Pantanal (KOHL, 2009).
Esclarece-se que:
[...] os gaúchos não são os gafanhotos das florestas,
[...] as identidades étnicas não são os fatores que explicam a relação que se
tem com a natureza, mas os fatores a serem explicados, de como distintas
configurações sociais constroem identidades étnicas e relações diferenciadas
com a natureza. (CARVALHO, 2012, p. 126).
Isso aponta que nem todos concordavam ou aceitavam, como positiva, as
características atribuídas ao gaúcho, como colonizador ideal.
O gaúcho é um elemento que está associado ao
processo de expansão da fronteira agrícola brasileira e do desenvolvimento do
agronegócio, conforme se buscou evidenciar em vários pontos da discussão
proposta é que, nesse processo, procurou-se, inicialmente, na figura do gaúcho,
o colonizador ideal, a essa afirmação acrescenta-se que:
O fluxo migratório
que se estendeu, das regiões sulinas para outros estados, desde o final do
século XIX, pode ser assim sintetizado: o fluxo inicia dentro do Rio Grande do
Sul, das denominadas “colônias velhas” para as “colônias novas”. Depois, o
deslocamento alcança, nas três primeiras décadas do século XX, o Oeste de Santa
Catarina; e desde a década de 1940, atinge o Sudoeste do Paraná. [...] Contudo,
na década de 1970, o fluxo migratório ultrapassa os limites da região Sul,
deslocando-se diretamente para as regiões Norte e Centro-Oeste, principalmente
para os estados que constituem a Amazônia Ocidental: Mato Grosso, Tocantins,
Rondônia e Acre (TAVARES DOS SANTOS, 1993, p. 74-75 apud KAISER, 1999, p. 90).
Segundo Kaiser
(1999), esses colonos são elementos resultantes do processo de
Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização (TDR), pois esses “[...] gaúchos fora do
Rio Grande do Sul se autodenominam ‘colonos’, construindo uma identidade social
que recorre a um componente étnico vinculado à colonização europeia na região sul
do Brasil” (KAISER, 1999, p. 90).
Na análise da
entrevista com outro gaúcho, foi possível observar aspectos já mencionados por
outro entrevistado, bem como alguns aspectos que mostravam a importância e
relevância do grupo e da identidade gaúcha, conforme se percebe pelo que segue:
O CTG Sentinela do
Pantanal foi criado em 1988, surgiu de uma reunião dos gaúchos, [...] e foram
umas reuniões e vamos construir o CTG e no embalo saiu, acho que saiu um dos
maiores CTG [...] até na época quando foi inaugurar esse CTG vieram os Monarcas
e os Garotos de Ouro, eles até falaram que ainda que se tivesse 04 CTGs no
nível do nosso em nível de Brasil seria muito. Hoje as coisas mudaram bastante,
porque o CTG vai com o passar do tempo, aquela época era época das “vacas
gordas” tudo era fácil pra fazer, se fosse fazer hoje não se faria 20% do que
foi feito, trouxe boas lembranças e tudo, mas hoje já está difícil administrar,
porque sobraram os caudilhos, os mais velhos, e os mais novos não está muito
ligados nesse sentido, nós tivemos aí bocha como um dos grandes esportes de
destaque aqui no Mato Grosso do Sul, hoje nós temos o laço que é na verdade o
que está em evidência hoje no CTG, tivemos um futebol society, danças tradicionais
aqui foi muito forte, os meus filhos dançaram e se criaram lá dentro, acho que
foi uma das melhores coisa que o CTG teve foi as escolas de danças, mas hoje já
está muito dificultoso para você conseguir manter uma estrutura, é muito grande
e tem pouca gente que possa tocar aquilo lá. Hoje o pessoal, nós apesar de ser
sulista, mas com o pessoal daqui hoje, hoje o pessoal é mais ligado a violada,
mais ligado a outras coisas, além disso, vem muitas exigências, é corpo de
bombeiro que exige isso, exige aquilo e tudo isso são gastos altíssimos, então
começa a dificultar a promoção do CTG e hoje o nosso aqui tá vivendo mais a
nível de aluguel, mas de promoções não estão conseguindo a não ser a campeira
que nos disputamos uma fase de laço pela federação estadual de Mato Grosso do
Sul, agora dia 18, 19 e 20 nós vamos ter um evento aqui, sempre foi uma das
maiores festas do Estado, entre as 08 últimas nós temos 05 que nós somos a
melhor festa [...] (CENTENARO, 2012)
O que se pode
analisar, a partir dessa entrevista, é que o entrevistado faz comparações entre
o CTG no século XX, quando foi fundado, e o do momento atual, primeiras décadas
do século XXI. Também, no trecho da entrevista, aparece a importância da
instituição CTG na memória individual e na memória para o grupo revela-se pelo
comentário corrente na cidade acerca do CTG, não só dos sócios, mas de outros
grupos sociais. A memória é um
elemento constituinte da identidade, tanto individual como coletiva, na medida
em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de
continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de
si (CANDU, 2011).
Por
intermédio da memória do gaúcho, pode-se observar o quão forte foi esta
identidade, principalmente, quando se remete ao CTG, do século XX. Essa
instituição simbolizava o ápice da representação da identidade gaúcha, conforme
foi analisado, pois não só agregava os migrantes sul-rio-grandenses,
paranaenses e catarinenses, chamados genericamente de gaúchos, mas toda a elite
local. Quando perguntados, aos participantes, a respeito de como foi à recepção
ao CTG Sentinela do Pantanal, responderam quase de forma unânime:
Nossa, foi muito bem,
no início eles foram bem recepcionado, até teve muita participação, o pessoal
até inclusive tinha muita gente daqui que se pilchava, usava aquele traje [...], porque no começo do CTG eles
estipularam que era obrigatório o uso da pilcha,
o traje, mas com o tempo, [...] foi a mistura de costumes e tudo, acabou
caindo um pouco a tradição, diminuiu bastante, então os últimos bailes, até
inclusive que eu participei já não iam mais pilchado
eram tudo normal, bailão mesmo (ANDRADE, 2012).
O discurso dos gaúchos é carregado de saudosismo em
relação ao CTG, pois foi uma instituição de grande relevância social, reconhecida
não só pelos sul-rio-grandenses, mas pelos demais grupos sociais. No fim da
década de 1980 e durante a década de 1990, evidenciava todo um glamour e clamor, sendo que ali estava a
“boa sociedade” coxinense.
O que foi possível observar durante as entrevistas e a
convivência em Coxim é que, possivelmente,
os gaúchos de Coxim se dividem em dois grupos, sendo o primeiro formado por
pessoas que tem algum tipo de ligação com o Estado do Rio Grande do Sul. São
filhos ou netos de pessoas que migraram do Rio Grande do Sul para os Estados de
Santa Catarina ou Paraná e que recorrem a elementos culturais da identidade
gaúcha fundamentada no tradicionalismo para se estabelecer, enquanto grupo
hegemônico na cidade. Já o segundo grupo de gaúcho não tem, em sua maioria,
ligação com o Rio Grande do Sul, apenas relações sociais com os migrantes
oriundo da região. Esses se aproveitaram do contexto social da época para se
estabelecer. É o caso dos paulistas, mineiros e nordestinos de maneira geral.
Outra possível razão do vínculo desse último grupo é para se reafirmar como
integrantes da elite local, pois ser gaúcho era sinônimo de status, a exemplo disso é o caso citado
por uma entrevistada em relação ao seu marido que diz: “ah,
(ele) adorava, se sentia o gaúcho, se vestia com a pilcha, com a bota tudo,
colocava a bombacha, tinha, até hoje acho que ele tem e tá guardado, o lenço, a
bombacha ele ainda guarda, gostava muito” (ANDRADE, 2012).
Muitos migrantes enxergaram em
elementos da identidade gaúcha, a possibilidade de aceitação, ascensão e
estabelecimento social, conforme pode ser inferido em trechos das entrevistas a
seguir:
[...] um povo que
aprendi a respeitar pela tradição, pela cultura, pelo respeito aos pais, e eles
tinham um slogan muito bonito na
época ’um povo sem tradição morre a cada geração‘ porque cada geração adquire,
perde um pouco da tradição, você sabe que a história do Rio Grande do Sul foi
feita de muito sangue, muita tradição ele tem esse orgulho de ter mantido a
terra, então eles diz que gaúcho é estado
de espírito [...] (grifo nosso) (MIRANDA, 2012).
O
CTG Sentinela do Pantanal, além de ser um espaço de sociabilidade, foi também o
local onde, de certa forma, despertou a identidade ou que alguns migrantes
sul-rio-grandenses passaram a adotar a identidade gaúcha,
[...] eu já fui conhecer o CTG com uma idade bem avançada, depois dos 15
anos, se eu falar em CTG, aí vai ter um baile com os Serranos era um evento que
tinha na cidade, aí que a gente começou a gostar de tradicionalismo de um par
de coisas, eu mesmo adoro música, sou um sanfoneiro aí (risos) de pequeno
porte, gosto demais da música gaúcha, gosto de qualquer tipo de música, mas
principalmente da música gaúcha (CENTENARO, 2012).
No trecho da entrevista, foi possível perceber que o
migrante sul-rio-grandense assumiu a sua identidade de gaúcho, mas não nasceu
tradicionalista, já, nos trechos a seguir, foi possível observar a importância
do CTG enquanto espaço de sociabilidade.
[...] o CTG é uma instituição aberta a todos
os públicos, sempre teve um trabalho social que é o de ensinar a gurizada a
dançar, respeitar, preservar os costumes gaúchos, mas a maioria dos sócios não são gaúchos em Coxim, e para associar ao
CTG o cidadão tem que adquirir um título
de 60 salários mínimos. (grifo nosso) (VIEIRA, 2009).
O CTG, além de ser um local de
encontros sociais e culturais, é também um local da elite, considerando que
esses valores correspondem, em 2013, a R$ 40.680,00 (Reais), um valor altíssimo
para a maioria da população coxinense, então, o CTG é um espaço aberto a todos,
mas seletivo.
Então, buscou-se historicizar os
relatos colhidos durante a pesquisa acerca do papel do CTG na identidade gaúcha
em Coxim, pois é uma instituição que teve relevância para a construção de tal
identidade, mas que chega ao século XXI cambaleando, segundo depoimentos dos
seus próprios sócios, como se observa no relato abaixo:
[...] depende dos patrões, pois alguns são
mais agressivos outros menos, e o CTG descaracterizou muito a partir da
introdução de outras culturas, pois hoje já não se realiza os bailes sociais do
CTG, devido ao custo de trazer um grupo gaúcho para esses bailes, porém, mantêm
atividades como a bocha, futebol, canastra e o tiro de laço. [...] a situação
financeira do clube, pois é o único clube em Coxim que as pessoas se reúnem nos
fins de semana, é o único em atividade constante apesar das dificuldades, pois
o CTG de Coxim já foi campeão brasileiro, campeão estadual de bocha e campeã de
tiro de laço comprido. (KERN, 2009).
Alguns fatores são
apontados como possibilidades para a crise do CTG Sentinela do Pantanal em
Coxim, como o surgimento de novos espaços de sociabilidade da elite coxinense.
Atualmente, existe o Centro de Tradições Nordestinas (CTN), as famílias mudaram
com os filhos para cidades maiores ou, outro fator pode ser a divisão
territorial do município de Coxim. Conforme dito anteriormente, algumas áreas
de intensa atividade agrícola, juntamente com os fazendeiros proprietários das
terras, deixaram de pertencer ao município, em virtude da formação de novos
municípios.
De qualquer forma,
independente das causas dessa redução de ênfase da identidade gaúcha em Coxim,
o que se pode enfatizar, a partir desta pesquisa, é que a identidade gaúcha em
Coxim foi constituída a partir do momento de euforia da expansão da fronteira
agrícola pós-década de 1960. Nesse período, o migrante precisava de elementos
que os fizessem diferentes em relação aos demais, o que foi potencializado com
a adesão de parte da elite e classe média local e, ainda, com a rede etnorregional
gaúcha, associada ao processo de modernização e colonização.
As
entrevistas citadas, durante a discussão, corroboram com a ideia da presença
gaúcha em Coxim pela via do trabalho, comércio, empresas, agricultura e laços
de parentescos. Nesse sentido, costurados pelos conceitos de identidade e
memória, a qual chama-se de rede etnicorregional gaúcha. Em vários
momentos da investigação, foi possível observar que a identidade gaúcha foi
renegociada em Coxim, ou que ela também foi usada para determinar um grupo
dominante da sociedade local.
Faz-se
necessário mencionar acerca da migração e identidade gaúcha em Coxim, que os
depoimentos de seus descendentes não foram contemplados, mesmo que representem
um recurso que pode trazer bons frutos para pesquisas futuras. Porém, houve um
silenciamento por parte de um número considerável de pessoas ligadas a tal
identidade.
Conclusão
Portanto, a identidade
gaúcha em Coxim existe, mas com roupagem bem diferente daquilo que é visto em
outras cidades ditas “gaúchas”, principalmente, do Estado de Mato Grosso e
mesmo do Mato Grosso do Sul. A identidade gaúcha em Coxim parece ser mais uma
representação de poder de um dado grupo social e econômico, que de um grupo
ligado a uma dada região, nesse caso, o Rio Grande do Sul, pelo recorte
temporal, com maior evidência, nas décadas de 1980 e 1990
Referências Bibliográficas
ALBERTI,
Verena. Obras coletivas de história oral. Tempo - Revista do Depto de
História da UFF, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 206-219, jun. 1997. Disponível
em: <http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/415.pdf >. Acesso em: 25 set. 2011.
ALMEIDA, Carina Santos de. Identidades negociadas: a
narrativa de memória e história de jovens herdeiros da migração
em busca da (des)territorialização. Rev. Inter. Mob. Hum., Brasília, Ano XVIII, Nº 34, p. 149-167,
jan./jun. 2010. Disponível
em: <http://www.csem.org.br/remhu/index.php/remhu/article/viewFile/215/198>. Acesso: 17 out. 2012.
ANDRADE, Neide Salete Cervieri de. Neide Salete Cervieri de Andrade: depoimento. [18 abril 2012]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento. Coxim,
2012.
BAUMAN,
Zygmunt. Identidade: entrevista a
Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2005.
BOM MEIHY,
José Carlos S. Desafio da história oral Latino-Americana: O caso do Brasil. In:
FERREIRA, Marieta de Moraes; FERNANDES, Tania Maria; e ALBERTI, Verena. (Orgs).
História oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Casa
de Oswaldo Cruz / CPDOC - Fundação Getulio Vargas, 2000. p. 85 – 98.
CANDAU, Joël. Introdução. Memória e Identidade. In:
_______. Memória e Identidade. São Paulo Contexto, 2011. p. 9-82.
CARLING MARTINS, Inez. Inez Carling Martins: depoimento.
[19 abril 2012]. Entrevistador: Cacildo
Alves Nascimento. Coxim, 2012.
CARVALHO, Ely Bergo de. Esculhambando o Paraíso:
colonização gaúcha, ascese do trabalho e história ambiental. In: FERNANDES,
Evandro; NEUMANN, Rosane Marcia; WEBER, Roswithia. (Orgs.). Imigração: diálogos
e novas abordagens. São Leopoldo: Oikos, 2012. p. 117-126.
CENTENARO,
Ademir. Ademir Centenaro: depoimento. [20 abril 2012]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento.
Coxim, 2012.
DELAMO, L. M. P. R.; EDDINE, E. A.
C.; URT, S. C. Memória e constituição do sujeito que vive na região
do pantanal: atividade e educação em memorialistas pantaneiros. In: ENTRELETRAS, Araguaína/TO, v. 3, n. 2, p. 105-121, ago./dez.
2012 (ISSN 2179-3948 – online).
Disponível em: <http://www.uft.edu.br/pgletras/revista/capitulos/8_mem%C3%B3ria_e_constitui%C3%A7%C3%A3o_do_sujeito_que_vive_na_regi%C3%A3o_do_pantanal__atividade_e_educa%C3%A7%C3%A3o_em_memorialistas_pantaneiros.pdf>.
Acesso em: 01 jun. 2013.
DESCONSI,
Cristiano. A marcha dos pequenos
proprietários rurais: trajetórias de migrantes do Sul do Brasil para o Mato
Grosso. Rio de Janeiro: E-papers,
2011.
FAZITO, Dimitri. A análise das
redes sociais (ARS) e a migração: mito e realidade. In: Encontro da Associação Brasileira de Estudos
Populacionais. 13, 2002, Ouro Preto. Anais.
Campinas, ABEP, 2002. p. 01-25. Disponível
em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=1&ved=0CBkQFjAA&url=http%3A%F%2Fwww.abep.nepo.unicamp.br%2Fdocs%2Fanais%2Fpdf%2F2002%2FGT_MIG_ST1_Fazito_texto.pdf&ei=Tw0OTZHCKIH_8Aa4iJ2DDg&usg=AFQjCNFUu_vHX7tqhOCGYsw5AUyWp9J9Kg&sig2=ZQDVggI6meGFSeKyou1MQg>.
Acesso em: 03 abr. 2010.
FREITAS, S.
M. História Oral: potencialidades e
procedimentos. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP: Imprensa Oficial do Estado,
2002.
FENTRESS,
James; WICKHAM, Chris. Memória Social.
Tradução Telma Costa. Lisboa: Teorema. 1994.]
KAISER, Jakzam.
Ordem e Progresso: O Brasil dos Gaúchos. Florianópolis: Insular, 1999.
KERN. Carmo
I. Carmo I. Kern: depoimento. [21 mar 2009]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento. Coxim, 2009.
KOHL,
Moacir. Moacir Kohl: depoimento. [18
mar. 2009]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento. Coxim, 2009.
MARQUES, Maurílio Macir Martins. Maurílio Macir Martins Marques: depoimento. [20 dez 2012]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento. Coxim,
2012.
MESSIAS,
Irajá Pereira. Irajá Pereira Messias: depoimento. [20 abril 2012]. Entrevistador:
Cacildo Alves Nascimento. Coxim, 2012
MIRANDA, Rosália A. M. Rosália
Aparecida Mochi Miranda: depoimento. [19
abril 2012]. Entrevistador: Cacildo Alves Nascimento. Coxim, 2012.
NODARI, Eunice Sueli. Etnicidades renegociadas: práticas socioculturais no oeste de Santa
Catarina. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2009.
PEREIRA, Lígia Maria Leite. Relatos orais em ciências sociais: limites e potencial. Anal.
e Conj. Belo Horizonte, v. 6, n. 3,
p. 109–127, set./dez. 1991. Disponível em: <http://www.fjp.mg.gov.br/revista/analiseeconjuntura/viewarticle.php?id=242>.
Acesso em: 18 nov. 2008.
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Revista Estudos Históricos, trad.
Monique Augras, Rio de Janeiro, v. 5,
n. 10, p. 200-212, 1992.
SOARES, W. Para além da concepção metafórica de redes
sociais: fundamentos teóricos de circunscrição topológica da migração
internacional. 2. ed. Ouro Preto: Anais
do Encontro da ABEP, 2002. Disponível em:
<www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2002/GT_MIG_ST1_Soares_texto.pdf>.
Acesso em: 24 dez. 2008.
THOMSON. Alistair. Histórias (co) movedoras: História Oral e estudos de
migração. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 22, n. 44, p.
341 – 364, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882002000200005&script=sci_arttext>.
Acesso em: 02 jan. 2013.
VIEIRA,
Dorvalino. Dorvalino Vieira: depoimento. [21 mar 2009]. Entrevistador:
Cacildo Alves Nascimento. Coxim, 2009.
[1] Cacildo Alves Nascimento
é graduado em História pela UFMS/CPCX e Mestre em História pela UFMT e
Professor da Rede Estadual de Mato Grosso em Cuiabá – MT. E-mail: cacanascimento@hotmail.com.
[2] Neide Salete
Cervieri de Andrade é filha de gaúchos nasceu em Santa Catarina, chegou em
Coxim em 1975, é bacharel em turismo e pós-graduada (lato sensu) em Educação a Distância e trabalha na Fundação
Educacional de Coxim.
[3] Maurílio Macir Martins
Marques ou simplesmente Maurílio Santiago é natural de Santiago no Rio Grande do
Sul
é formado em jornalismo, locutor de rádio, empresário e chegou em Coxim em 1989.
[4] Inez Carling
Martins chegou em Coxim em 1987, é gaúcha de Campina das Missões no Rio Grande
do Sul, é professora da rede pública e particular de Coxim.
[5] “[...] termo sujeito pantaneiro,
este se refere a homens e mulheres que vivem na região do Pantanal, que tenham
nascido ou não nesse espaço ou, ainda que já o tenham deixado, ainda mantêm
algum tipo de vínculo com ele”
(DELAMO; EDDINE; URT, 2012, p. 112).
Existe também no Estado de Mato Grosso uma corrente de intelectuais, políticos,
artistas e outros seguimentos sociais que buscam o reconhecimento e adesão,
tanto dentro, quanto fora do Estado para que os indivíduos sul-mato-grossenses
sejam reconhecidos como pantaneiros. Houve também no passado uma movimentação
para que o Estado se chamasse Estado do Pantanal.
[6] Irajá Pereira Messias é natural de
Ivair no Paraná, é advogado criminalista e chegou em Coxim em 1980, é sócio
remido do CTG Sentinela do Pantanal de Coxim.
[7] Ademir Centenaro e natural de São José do Ouro no Rio Grande do Sul, é comerciante e pecuarista e chegou em
Coxim em 1984.