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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Amazônia



A maior parte da Amazônia é a área de clima equatorial, originalmente coberta pela floresta amazônica, que cobre cerca de 40% do território brasileiro, se estendendo pela região Norte, norte do Centro-Oeste e o oeste do Maranhão, configurando a Amazônia Legal, área de atuação da SUDAM.
A - Aspectos Naturais
A maior parte da região amazônica possui clima equatorial, marcado pelas altas temperaturas o ano inteiro, tendo portanto, pequena amplitude térmica anual. A pluviosidade é imensa, geralmente ultrapassando 2500mm anuais, sem existência de estação seca no noroeste da região - área de origem da mEc, ou com uma estação seca muito curta.
O domínio climático determina a floresta mais exuberante do planeta, a Floresta Equatorial ou Latifoliada, com grande biodiversidade e enorme massa vegetal, determinando a sobreposição de vários "andares" de floresta, dando-lhe a característica fechada. A floresta Amazônica pode ser dividida em:
·                     Mata do Igapó - área próxima aos rios, estando permanentemente alagada.
·                     Várzea - nos trechos intermediários, possui vegetais de maior porte, como a seringueira (hevea brasiliensis), é inundada nas cheias.
·                     Mata de Terra Firma - nas áreas mais distantes dos rios, com árvores muito grandes e enorme riqueza na fauna.
O desmatamento da Floresta Amazônica se intensificou a partir da década de 60 com a implantação do Programa de Integração Nacional, envolvendo a construção de eixos viários, já que as rodovias configuraram a infra-estrutura básica para os projetos de colonização. A partir daí, há a expansão da fronteira agrícola, incrivelmente com avanço da pecuária extensiva, além dos grandes projetos minerais e da ação das madeireiras nacionais, que na década de 90 passam a ter a companhia das temíveis madeireiras asiáticas.
O avanço das queimadas na Amazônia
1968 - Há duas décadas, os 5,1 milhões de km2 da Amazônia estavam praticamente intactos. Havia áreas desmatadas ao redor das cidades de Belém e Cuiabá e nas regiões sul do Mato Grosso e norte de Goiás (hoje Tocantins).
1978 - O governo decide colonizar Rondônia. As queimadas avançam para oeste ao longo da rodovia BR-364, entre Cuiabá e Porto Velho. Começam os projetos agropecuários no sul do Pará e sudeste do Maranhão.
1988 - A devastação já atinge mais de meio milhão de km2. As queimadas consumiram grande parte do Mato Grosso, Rondônia e Pará, quase todo o estado de Goiás (atual Tocantins) e Acre e Roraima.
A intensificação do desmatamento vem provocando prejuízos irreparáveis ao meio ambiente devido ao rompimento do equilíbrio ecológico, já que a retirada da floresta determina:
1.            Alterações climáticas, devido ao aumento da quantidade de carbono na atmosfera e consequentemente da temperatura e a redução da Evapotranspiração que altera os índices pluviométricos.
2.            Alterações no equilíbrio térmico, já que o desmatamento altera a umidade.
3.            Desgaste do solo, devido a intensificação da lixiviação e a não reposição do material orgânico.
4.            Falta de regulação para a rede hidrográfica.
5.            Problemas para a fauna e retirada da flora nativa para pesquisas.
Outra característica marcante do quadro natural amazônico é a rede hidrográfica, sendo a Bacia Amazônica a maior do mundo em volume de água e, provavelmente, o rio Amazonas, o mais extenso do planeta. Como o rio principal localiza-se sobre uma planície, constitui uma hidrovia de milhares de quilômetros de extensão e devido a topografia da região, já que, os seus afluentes vem de áreas mais altas, a área possui o maior potencial hidrelétrico do país, o aproveitamento porém ainda é baixo, sendo este um entrave para o desenvolvimento.
B - Aspectos Humanos
A região amazônica possui uma população absoluta muito reduzida, o que aliado a sua grande extensão, determina baixíssimas densidades demográficas. No entanto, nas últimas décadas a região vem tendo, devido as migrações, o maior crescimento populacional do país, tendo sido, na década de 80, de 4,5% ao ano contra a média nacional de l,8%.
Este grande crescimento populacional é fruto em grande parte de migrações rural-rural (expansão da fronteira agrícola), que no entanto, não impedem a região de ser predominantemente urbana, com cerca de 55% da população vivendo em cidades. Esta aparente contradição pode ser explicada pela enorme concentração fundiária e os constantes conflitos pela posse da terra, envolvendo posseiros, grileiros, latifundiários e seus jagunços, comunidades indígenas e populações extrativistas (seringueiros e castanheiros).
O principal aglomerado urbano é Belém, que é a Metrópole Regional, seguida da cidade de Manaus, que vem sendo classificada de metrópole em formação ou metrópole incompleta. Outras áreas de crescimento são Rondônia, o sul do Pará e Tocantins.
C - Aspectos Econômicos
A pecuária extensiva é uma atividade marcante na Amazônia, havendo grandes projetos ao longo das rodovias, que foram criados com incentivos diretos e indiretos do governo federal, notadamente durante a Ditadura Militar. A produtividade da pecuária na região é muito reduzida, dificilmente alcançando 50 quilos anuais por hectare e declina rapidamente, em virtude do enfraquecimento do solo (em algumas áreas da Europa a produtividade alcança 600kg/há, além de haver produção leiteira). Como entender então a existência dessa atividade?
Na verdade a pecuária extensiva é utilizada na especulação fundiária, como forma de valorização e obstáculo para a desapropriação para fins de reforma agrária.
A Ditadura Militar, citada anteriormente, é vital para a compreensão do quadro econômico amazônico, já que, a construção das "rodovias de penetração", iniciadas com a Transamazônica, e com o desenvolvimento da Cuiabá-Santarém, Cuiabá-Porto Velho e a Porto Velho-Manaus.
Apesar da enorme riqueza potencial da biodiversidade amazônica, que constitui o maior "banco genético mundial", há pequena utilização por parte do Brasil para pesquisas e desenvolvimento tecnológico (para alegria estrangeira que utiliza inclusive a "biopirataria" na área).
O extrativismo mineral merece destaque, com expressivo crescimento nas últimas décadas, principalmente com o Projeto Carajás, no sul do Pará, controlado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que envolveu enormes investimentos federais, incluindo uma hidrelétrica - Tucuruí no rio Tocantins, e uma ferrovia de 640 km - Estrada de Ferro Carajás. Além disso, temos a bauxita, no Pará, manganês no Amapá, ouro em várias regiões e "terras raras" na região de Roraima.
Observação: SIVAM - Sistema de Vigilância da Amazônia, monitoração via satélite, envolvendo radares fixos, móveis, sensoriamento remoto e controle de tráfego aéreo; este projeto complementa as ambições brasileiras da área do norte da América do Sul. Faziam parte do projeto de ocupação, visando o "desenvolvimento e a segurança nacional". Neste mesmo contexto da concessão de incentivos para a criação da Zona Franca de Manaus (a preocupação com a região continua sendo um assunto vital em termos de segurança, o que pode ser comprovado pelos recentes projetos SIVAM e CALHA NORTE (quartel ao longo do rio Amazonas).

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