A maior parte da Amazônia é
a área de clima equatorial, originalmente coberta pela floresta amazônica, que
cobre cerca de 40% do território brasileiro, se estendendo pela região Norte,
norte do Centro-Oeste e o oeste do Maranhão, configurando a Amazônia Legal, área de atuação
da SUDAM.
A - Aspectos Naturais
A maior parte da região
amazônica possui clima equatorial, marcado pelas altas temperaturas o ano
inteiro, tendo portanto, pequena amplitude térmica anual. A pluviosidade é
imensa, geralmente ultrapassando 2500mm anuais, sem existência de estação seca
no noroeste da região - área de origem da mEc, ou com uma estação seca muito
curta.
O domínio climático
determina a floresta mais exuberante do planeta, a Floresta Equatorial ou
Latifoliada, com grande biodiversidade e enorme massa vegetal, determinando a
sobreposição de vários "andares" de floresta, dando-lhe a
característica fechada. A floresta Amazônica pode ser dividida em:
·
Mata do Igapó - área próxima aos rios,
estando permanentemente alagada.
·
Várzea - nos trechos intermediários, possui
vegetais de maior porte, como a seringueira (hevea brasiliensis), é inundada
nas cheias.
·
Mata de Terra Firma - nas áreas mais
distantes dos rios, com árvores muito grandes e enorme riqueza na fauna.
O desmatamento da Floresta
Amazônica se intensificou a partir da década de 60 com a implantação do
Programa de Integração Nacional, envolvendo a construção de eixos viários, já
que as rodovias configuraram a infra-estrutura básica para os projetos de
colonização. A partir daí, há a expansão da fronteira agrícola, incrivelmente
com avanço da pecuária extensiva, além dos grandes projetos minerais e da ação
das madeireiras nacionais, que na década de 90 passam a ter a companhia das
temíveis madeireiras asiáticas.
O avanço das queimadas na
Amazônia
1968 - Há duas décadas, os
5,1 milhões de km2 da
Amazônia estavam praticamente intactos. Havia áreas desmatadas ao redor das
cidades de Belém e Cuiabá e nas regiões sul do Mato Grosso e norte de Goiás
(hoje Tocantins).
1978 - O governo decide
colonizar Rondônia. As queimadas avançam para oeste ao longo da rodovia BR-364,
entre Cuiabá e Porto Velho. Começam os projetos agropecuários no sul do Pará e
sudeste do Maranhão.
1988 - A devastação já
atinge mais de meio milhão de km2. As queimadas consumiram grande
parte do Mato Grosso, Rondônia e Pará, quase todo o estado de Goiás (atual
Tocantins) e Acre e Roraima.
A intensificação do
desmatamento vem provocando prejuízos irreparáveis ao meio ambiente devido ao
rompimento do equilíbrio ecológico, já que a retirada da floresta determina:
1.
Alterações climáticas, devido ao aumento da
quantidade de carbono na atmosfera e consequentemente da temperatura e a
redução da Evapotranspiração que altera os índices pluviométricos.
2.
Alterações no equilíbrio térmico, já que o
desmatamento altera a umidade.
3.
Desgaste do solo, devido a intensificação da
lixiviação e a não reposição do material orgânico.
4.
Falta de regulação para a rede hidrográfica.
5.
Problemas para a fauna e retirada da flora
nativa para pesquisas.
Outra característica
marcante do quadro natural amazônico é a rede hidrográfica, sendo a Bacia
Amazônica a maior do mundo em volume de água e, provavelmente, o rio Amazonas,
o mais extenso do planeta. Como o rio principal localiza-se sobre uma planície,
constitui uma hidrovia de milhares de quilômetros de extensão e devido a
topografia da região, já que, os seus afluentes vem de áreas mais altas, a área
possui o maior potencial hidrelétrico do país, o aproveitamento porém ainda é
baixo, sendo este um entrave para o desenvolvimento.
B - Aspectos Humanos
A região amazônica possui
uma população absoluta muito reduzida, o que aliado a sua grande extensão,
determina baixíssimas densidades demográficas. No entanto, nas últimas décadas
a região vem tendo, devido as migrações, o maior crescimento populacional do
país, tendo sido, na década de 80, de 4,5% ao ano contra a média nacional de
l,8%.
Este grande crescimento
populacional é fruto em grande parte de migrações rural-rural (expansão da
fronteira agrícola), que no entanto, não impedem a região de ser
predominantemente urbana, com cerca de 55% da população vivendo em cidades. Esta
aparente contradição pode ser explicada pela enorme concentração fundiária e os
constantes conflitos pela posse da terra, envolvendo posseiros, grileiros,
latifundiários e seus jagunços, comunidades indígenas e populações
extrativistas (seringueiros e castanheiros).
O principal aglomerado
urbano é Belém, que é a Metrópole Regional, seguida da cidade de Manaus, que
vem sendo classificada de metrópole em formação ou metrópole incompleta. Outras
áreas de crescimento são Rondônia, o sul do Pará e Tocantins.
C - Aspectos Econômicos
A pecuária extensiva é uma
atividade marcante na Amazônia, havendo grandes projetos ao longo das rodovias,
que foram criados com incentivos diretos e indiretos do governo federal,
notadamente durante a Ditadura Militar. A produtividade da pecuária na região é
muito reduzida, dificilmente alcançando 50 quilos anuais por hectare e declina
rapidamente, em virtude do enfraquecimento do solo (em algumas áreas da Europa
a produtividade alcança 600kg/há, além de haver produção leiteira). Como
entender então a existência dessa atividade?
Na verdade a pecuária
extensiva é utilizada na especulação fundiária, como forma de valorização e
obstáculo para a desapropriação para fins de reforma agrária.
A Ditadura Militar, citada
anteriormente, é vital para a compreensão do quadro econômico amazônico, já
que, a construção das "rodovias de penetração", iniciadas com a
Transamazônica, e com o desenvolvimento da Cuiabá-Santarém, Cuiabá-Porto Velho
e a Porto Velho-Manaus.
Apesar da enorme riqueza
potencial da biodiversidade amazônica, que constitui o maior "banco
genético mundial", há pequena utilização por parte do Brasil para
pesquisas e desenvolvimento tecnológico (para alegria estrangeira que utiliza
inclusive a "biopirataria" na área).
O extrativismo mineral
merece destaque, com expressivo crescimento nas últimas décadas, principalmente
com o Projeto Carajás, no sul do Pará, controlado pela Companhia Vale do Rio
Doce (CVRD), que envolveu enormes investimentos federais, incluindo uma
hidrelétrica - Tucuruí no rio Tocantins, e uma ferrovia de 640 km - Estrada de Ferro
Carajás. Além disso, temos a bauxita, no Pará, manganês no Amapá, ouro em
várias regiões e "terras raras" na região de Roraima.
Observação: SIVAM - Sistema
de Vigilância da Amazônia, monitoração via satélite, envolvendo radares fixos,
móveis, sensoriamento remoto e controle de tráfego aéreo; este projeto
complementa as ambições brasileiras da área do norte da América do Sul. Faziam
parte do projeto de ocupação, visando o "desenvolvimento e a segurança
nacional". Neste mesmo contexto da concessão de incentivos para a criação
da Zona Franca de Manaus (a preocupação com a região continua sendo um assunto
vital em termos de segurança, o que pode ser comprovado pelos recentes projetos
SIVAM e CALHA NORTE (quartel ao longo do rio Amazonas).
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