CUSTÓDIO, Regina Cristina. Mato Grosso após 1970: terra,
trabalho, migração e memória. In: BARROZO, João C. (orgs). Mato Grosso a (Re)ocupação da terra na fronteira amazônica (século XX). Cuiabá: EdUFMT. 2010.
Cacildo
Alves Nascimento[1]
Apresentação
Regiane
Cristiana Custódio – Mestre em História pela Universidade
Federal de Mato Grosso. Professora da Universidade Estadual de Mato Grosso –
Campus de Tangará da Serra.
A
anexação de “novas” áreas de terra ao processo produtivo.
·
Processo de reocupação da Amazônia na
segunda metade do Século XX partindo da região Centro-Sul e Nordeste.
·
Solução de conflitos agrários no
Nordeste e conflitos sociais no Centro-Sul e expectativa de prosperidade.
Amazônia
enquanto espaço de fronteira:
1. Fronteira
Política: limites territoriais com os países ao norte do Brasil (Guina,
Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, Colômbia, Peru), ainda sem ocupação
efetiva.
2. Fronteira
Demográfica: áreas que deveriam ser ocupadas por migrantes vindo do Centro-Sul
e Nordeste no eixo Belém - Brasília, Cuiabá – Santarém e Transamazônica.
3. Fronteira
do capital: grandes projetos de mineração, agropecuário e industrial
coordenados pela SUDAM.
Primeira
metade do Século XX
O radio desempenhou o principal veículo de
comunicação da região Amazônica.
Pós
1964
Os governos militares intensificam o processo de
ocupação na região amazônica, sobretudo com pensamento de ocupação
geoestratégica de segurança nacional.
Viabilização de projetos através de órgãos e
autarquias públicas como SUDAM e BASA.
Colonização
como forma planejada de povoamento.
A colonização como forma planejada de proceder ao
povoamento de uma área é um processo que, no Brasil, vem de longa data,
obedecendo a razoes de natureza econômica, social política e militar utilizando
ou não a iniciativa privada. (apud Becker
et al., 1990, p.64)
Três tipos de colonização no Brasil: 1) colonização
espontânea, 2) colonização oficial e 3) colonização privada.
A definição do termo COLONIZAÇÃO:
[...] toda atividade oficial ou particular destinada
a dar acesso à propriedade de terra e a promover seu aproveitamento econômico,
mediante o exercício de atividade agrícola, pecuárias, através da divisão de
lotes ou parcelas, dimensionadas de acordo com as regiões definidas da
regulamentação do Estatuto da Terra, ou através de cooperativas de produção
nela prevista (apud et al., 1990,
p.60)
[...] a colonização na Amazônia caracterizando-a
como uma contra reforma agrária, levando em conta a maneira como o Estado
favoreceu de forma extensiva o desenvolvimento do capitalismo e as
conseqüências do processo. P. 109
A colonização pode ser entendida como o processo de
ocupação de uma área por pessoas de fora e, mais restritamente pode ser pensada
como o povoamento que é precedido de planejamento, governamental ou
privado.(...) em Mato Grosso, a colonização particular apresentou-se de forma
expressiva, destacando-se como representativa desta forma planejada de
apropriação da terra. P. 109
Para entender o processo de colonização na Amazônia
é preciso também entender o caráter econômico da terra (como empreendimento
comercial).
Sorriso
– Mato Grosso: uma “terra promissora”
Ocupação de onde está localizado o município de
Sorriso:
– 1972 primeiras visitas de migrantes.
- 1974 aberturas das primeiras divisas e aquisição
de terras por migrantes oriundo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
- 1976 instalação da primeira empresa colonizadora e
venda dos lotes urbanos.
- No período de 1991 e 2000, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a população de Sorriso
9,09% ao ano, pois em 1991 era de 16.757 habitantes chegando em 2009 a 60.028
habitantes.
Algo que chama atenção na cidade de Sorriso é o seu
ordenamento urbano, pois a cidade tem um planejamento urbano típico de cidades
de colonização privada, sobretudo na área central.
Devido à localização de Sorriso está no cerrado,
foram necessários alguns investimentos para que essas áreas tornam-se
produtiva, o que foi chamado de “boa colonização”.
A regra “boa colonização” aplicou-se apenas aos que
adquiriram áreas através da compra. Aqueles que não dispunham de recursos
financeiros não foram beneficiados pelo “fundo social” da colonização, pois não
teve acesso a terra. P. 112
Sem desconsiderar as dificuldades iniciais presentes
em qualquer processo de transição de um lugar para outro, ou seja, em qualquer
processo migratório, identifica-se certo ufanismo que coloca em segundo plano a
questão político-econômica que envolve os interesses da colonização, enquanto
atividade empresarial na Amazônia. P. 113.
Migrantes – pioneiro, buscaram não só expandir o
povoamento, mas buscaram criar novos e elevados padrões de vida. P. 115
Concentração de terras – velhos problemas.
Áreas ocupadas por posseiros ou indivíduos vítimas
da escassez de terras do nordeste ou outras regiões do Brasil.
Relação – posseiro X colono.
Mito fundador. (a memória do migrante é a única
memória do lugar)
Propaganda na mídia da prosperidade de Mato Grosso,
pós década de 1970.
Nos locais onde há grande produção de soja, tem
havido um aumento significativo da pobreza. P. 119
Qualificação profissional, expropriação do
trabalhador e controle social.
A contradição do capitalismo evidencia-se: de um
lado a riqueza (concentração de capital e meio de produção), dividindo, por
outro, espaço com a pobreza oculta em loteamentos mais distantes do centro. Nestes
municípios apresentados de maneira ufanista, ostenta-se a riqueza de alguns
ocultando-se a miséria de muitos. P. 124
[1]
Formado em História na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da Universidade
Federal de Mato Grosso (UFMT). Roteiro de apresentação na disciplina de Expansão da Fronteira
na Amazônia de Mato Grosso (Séc.XX)