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terça-feira, 5 de novembro de 2013

DAS REVOLUÇÕES INGLESAS À REVOLUÇÃO INDUSTRIAL



INGLATERRA DO SÉCULO XVII

Este século foi marcante, visto que o país atravessou duas tormentas, ou movimentos revolucionários que sacudiram as bases monárquicas. A primeira foi a REVOLUÇÃO PURITANA, DE 1640. A segunda foi a REVOLUÇÃO GLORIOSA, de 1688. As duas fazem parte do mesmo processo revolucionário. Por isso o motivo de mencionar revolução e não revoluções da Inglaterra.
Essa revolução foi uma das primeiras manifestações da crise do Antigo Regime, ou forma absolutista de governo. Isso tudo deu base para o pleno desenvolvimento do capitalismo e da revolução industrial do século XVIII. De certa forma esta pode ser considerada a primeira revolução burguesa da Europa.

VIDA SOCIAL ANTES DA REVOLUÇÃO

            Com a Dinastia Tudor, a Inglaterra teve muitas conquistas, que serviram de base para o desenvolvimento econômico do país. Seus maiores representantes foram os monarcas Henrique VIII e Elisabeth I, que entre outros feitos conseguiram: unificar o país, dominar a nobreza, afastar-se do Papa além de confiscar os bens da igreja católica, e ao mesmo tempo criar a igreja anglicana, e entrar na disputa por colônias com os espanhóis.
Foram com esses monarcas que ocorreu a formação de monopólios comerciais, como a Companhia das Índias Orientais e dos Mercadores Aventureiros. Isto serviu para impedir a livre concorrência, embora essa ação tenha sufocado alguns setores da burguesia. Como por exemplo, os artesões, que se viram obrigados a pagar mais caro por alimentos e produtos usados nos seus serviços. Isto resultou na divisão da burguesia: de um lado, os grandes comerciantes que gostaram da política de monopólio, e de outro a pequena burguesia que queria a livre concorrência.
Outro problema era a detenção de privilégios nas mãos das corporações de ofício. Também outra situação problemática era na zona rural, com a alta dos produtos agrícolas, as terras foram valorizadas. Isso gerou os cercamentos, isto é, os grandes proprietários rurais que aumentavam suas terras por ocupar as terras coletivas, transformando-as em privadas. O resultado foi: a expulsão de camponeses do campo e a criação de grandes propriedades para a criação de ovelhas e para a produção de lã.
Para não deixar o conflito entre camponeses e grandes proprietários aumentasse o governo tentou impedir os cercamentos. Claro que com essa ação a nobreza rural, Gentry, e a burguesia mercantil foram fortes oponentes.

NOTA: gentry era a nobreza progressista rural, uma nobreza aburguesada.

DIANSTIA STUART

            Esta dinastia iniciou-se após a morte da rainha Elisabeth, em 1603. O primeiro rei foi JAIME I, rei da Escócia. Este dissolveu o parlamento várias vezes e quis implantar uma monarquia absoluta do direito divino. Infelizmente foi radical, pois perseguiu os católicos e seitas menores, sob o pretexto de estes mesmos estavam organizando a Conspiração da Pólvora em 1605. Muitos que ficaram descontentes começaram a para a América do norte.
Os atritos entre rei e parlamento ficaram fortes e intensos, principalmente depois de 1610.
Em 1625, houve a morte do Jaime I e seu filho, Carlos I, assumiu o poder. Em 1628, com tantas guerras, o rei viu-se obrigado a convocar um parlamento, que foi bem hostil, até exigiram o cumprimento da “petição dos direitos”. Isto quer dizer, o parlamento queria o controle da política financeira e do exército, além de regularizar a convocação do parlamento. A resposta real foi bem clara: a dissolução do parlamento, que voltaria a ser convocado em 1640.
            O rei Carlos governou sem parlamento, mas ele buscou o apoio da Câmara Estrelada, uma espécie de tribunal ligado ao Conselho Privado do Rei. Para reforçar o absolutismo, Carlos I aumentou os impostos, ou seja, começou a cobrar impostos que antes já haviam caído no desuso, como exemplo o ship money, imposto criado para proteger as cidades portuárias de ataques piratas, agora com Carlos esse imposto passou a ser cobrado até mesmo nas cidades de interior, onde dificilmente um pirata atacaria. Também tentou impor a religião anglicana aos calvinistas escoceses (presbiterianos).  Isso gerou rebeliões por parte dos escoceses que invadiram o norte da Inglaterra. Com isso o rei viu-se obrigado a reabrir o parlamento em abril de 1640 para obter ajuda da burguesia e da Gentry. Mas o parlamento tinha mais interesse no combate ao absolutismo. Por isso foi fechado novamente. Em novembro do mesmo ano foi convocado de novo. Desta vez ficou como o longo parlamento, que se manteve até 1653.

A REVOLUÇÃO PURITANA

            A guerra civil inglesa estendeu-se de 1612 à 1649, e dividiu o país. De um lado havia os cavaleiros, o exército fiel ao rei e apoiado pelos senhores feudais. Do outro, os cabeças-redondas, visto que não usavam perucas e estavam ligados a gentry, eram forças que apoiavam o parlamento.
O parlamento foi bastante radical em suas ações. Começou por dissolver a câmara estrelada, proibiu o rei de ter um exército permanente, tomou a liderança política e tributária do país, culpou o rei por um levante na Irlanda católica em 1641.
Em 1642, começava a guerra civil. Oxford tornou-se a sede do rei, onde se organizou um exército de 20 mil homens. O apoio veio dos aristocratas do oeste e do norte, juntamente com uma parte dos ricos burgueses, que estavam preocupados com as agitações sociais. Em contra partida o exército do parlamento foi comandado por Oliver Cromwell, originado de uma família de nobres calvinistas. Com ele o exército teve grandes mudanças. Era formado por camponeses, burgueses de Londres e a gentry. O mais importante fato neste exército era que as classes hierárquicas seriam alcançadas não mais por nascimento mais sim por merecimento.  Isto serviu de grande incentivo entre os combatentes. Esse exército foi decisivo na Batalha final de Naseby em 1645. Carlos I perdeu a guerra e fugiu para a Escócia, lá ele foi preso e vendido para o parlamento inglês, curiosamente pelo parlamento escocês. (ele não teve sorte com parlamentos!).
Já entre o vitorioso exército do parlamento, havia uma divisão entre os Grandes, ou seja, o alto escalão dos oficiais, e os niveladores, que avançados para época, eram a maior parte dos combatentes. Suas ideias eram : comércio livre para os pequenos produtores, proteção à pequenas propriedades, fim do pagamento do dízimo à igreja, separação da igreja e do estado, fim dos cercamentos e direito de votos para todos.
Tentaram assumir o controle do exército em 1647. Com toda essa agitação, Carlos I conseguiu fugir. Mas com a união do exército, ele foi capturado e decapitado. O parlamento foi desativado, por excluir 96 membros e prender 47. Com a morte de Carlos I em 30 de janeiro de 1649, a república foi proclamada em 19 de maio do mesmo ano.

GOVERNO DE CROMWELL
            O governo de Oliver Cromwell atendia os interesses burgueses. Quando começou a haver rebeliões na Escócia e na Irlanda, ele as reprimiu com brutalidade. Oliver procurou eliminar a reação monarquista. Fez uma “limpeza” no exército. Executou os líderes escavadores (estes eram trabalhadores rurais que queriam tomar terras do estado, nobreza e clero). Com tantas execuções os menos favorecidos ficaram a “mercê da sorte” e acabaram por entrar em movimentos religiosos radicais.
Uma medida para combater os holandeses e fortalecer o comércio foi os Atos da navegação. Essa lei resumia-se no seguinte: o comércio com a Inglaterra só poderia ser feito por navios ingleses ou dos países que faziam negócios com a Inglaterra.
            Em 1653, Oliver autonomeou-se Lorde Protetor, seus poderes eram tão absolutos quanto de um rei. Mas ele recusou-se a usar uma coroa. Embora na prática agisse como um soberano. Com apoio dos militares e burgueses, impôs a ditadura puritana, porque governou com rigidez e intolerância, com ideias puritanas. Ele morreu em 1658 e seu filho Richard assumiu o poder. Mas este logo foi deposto em 1659.

A RESTAURAÇÃO STUART E A REVOLUÇÃO GLORIOSA

            Após a deposição de Richard, Carlos II, da família Stuart, é proclamado rei da Inglaterra em 1660. Os poderes de Carlos eram limitados. Por isso ele estreitou ligações com o rei francês Luis XIV, isto logo manchou sua reputação com o parlamento.
Carlos II baixou novos atos de navegação favoráveis ao comércio inglês. Envolveu-se na guerra com a Holanda. Em 1673, o parlamento aprovou a lei do teste: todo o funcionário público deveria professar o anticatolicismo. Com essas atitudes o parlamento ficou dividido em dois grupos: os whigs, que eram contra o rei e favoráveis às mudanças revolucionárias além de serem ligados a burguesia. Os tories eram defensores feudais e ligados à antiga aristocracia feudal.
            Em 1685, morreu Carlos II e seu irmão Jaime II assume o governo. Este tomou medidas drásticas, quis restaurar o absolutismo, o catolicismo (em um país com outras tendências religiosas), também punia os revoltosos com a negação do  habeas corpus- proteção a prisão sem motivo legal- o parlamento não tolerou esse comportamento e convocou Maria Stuart, filha de Jaime II e esposa de  Guilherme de Orange, para ser rainha. Com isso o rei foge para a França e Maria Stuart e seu esposo tornaram-se monarcas ingleses. Esta foi a revolução Gloriosa.
Os novos soberanos tinham alguns deveres. Por exemplo, tiveram de aceitar a Declaração dos Diretos. Esta declaração tirava boa parte doa poderes reais. O rei ficou apenas como um símbolo, pois quem realmente governava era o parlamento. Visto que de acordo com a declaração o rei não podia cancelar as leis parlamentares; o reino poderia ser entregue a quem o parlamento quisesse, após a morte do rei; inspetores controlariam as contas reais; e o rei não deveria manter um exército em épocas de paz.
As decisões administrativas passaram a serem tomadas por ministros, e o tesouro ficou sob a direção de altos funcionários.
 Com tudo isso, houve a criação do banco da Inglaterra, em 1694.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 A Revolução Industrial pode ser definida como o conjunto de transformações sociais e econômicas ocorridas no período entre 1750 e 1860, relacionadas com a substituição da produção manufatureira artesanal pela produção em série, realizada por trabalhadores assalariados, com o uso predominante de máquinas. A Revolução Industrial ensejou o surgimento do capitalismo industrial e a redução dos custos de produção, ampliando o mercado consumidor.

PIONEIRISMO INDUSTRIAL INGLÊS

O pioneirismo da Inglaterra se deu em virtude de muitos fatores históricos, que contribuíram para que aquele país saísse na frente no processo de industrialização no século XVIII. Isso não foi por acaso e pode ser explicado por algumas ocorrências. A liberalização da economia, a supremacia naval, a disponibilidade de mão-de-obra devido ao fechamento dos campos, a melhoria no processo de exploração do carvão mineral (matriz energética do maquinário a vapor), instalação da monarquia parlamentar e o triunfo da ideologia liberal foram os principais, além dos seguintes:
Revolução inglesa: foi a Inglaterra o palco da 1ª revolução burguesa, onde a burguesia tornou-se um grupo social bastante poderoso, que, aliado à nobreza rural, promoveu o desenvolvimento econômico do país e lançou as bases para o avanço da industrialização.
Acúmulo de capital: necessário ao processo de industrialização, o acúmulo de capital pela burguesia inglesa deu-se por meio da grande expansão comercial inglesa (colônias americanas, Canadá e Índia) e da transformação da estrutura agrária (cercamento dos campos e mecanização da agricultura).
Mão de obra abundante e barata: gerada pelo êxodo rural devido ao cercamento dos campos e pela crescente mecanização agrária. A massa de trabalhadores que chegavam às cidades só tinha como meio de sobrevivência o trabalho na indústria.
 Recursos naturais: o subsolo inglês contava com grandes jazidas de carvão mineral, fonte de energia para as indústrias, e de minério de ferro, matéria-prima de maior importância na industrialização.
Posição Geográfica: o fato de ser uma ilha à margem da Europa Ocidental facilitou o escoamento da produção, o acesso ao comércio marítimo e à exploração dos grandes mercados ultramarinos.

REAÇÕES DOS TRABALHADORES

Não só no campo teórico ficaram as contestações e as inovações trazidas pela Revolução Industrial. Os trabalhadores chegaram à conclusão que teriam que se organizar para lutar por melhores condições de trabalho e reivindicar seus direitos. Os empregados das fábricas, então, formaram as Trade Unions (entidades de auxílio mútuo entre os trabalhadores).

CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

·      Maior divisão técnica do trabalho
·      Utilização constante de máquinas
·      Afirmação do capitalismo como modo de produção dominante
·      Aumento da população urbana
·      Baixa remuneração, carga excessiva de trabalho, desemprego e criação de reservas de mão de obra.
·      Alienação dos meios de produção

·      Avanços científicos que possibilitaram a 2ª Revolução Industrial

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