A
Primeira Guerra Mundial (também conhecida como Grande Guerra
antes de 1939, e Guerra
das Guerras) foi um conflito mundial ocorrido entre 28 de Julho
de 1914 e 11
de Novembro de 1918.
A
guerra ocorreu entre a Tríplice Entente (liderada pelo Império Britânico, França, Império Russo
(até 1917) e Estados Unidos (a partir de 1917) que derrotou a Tríplice Aliança (liderada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano), e causou o colapso de
quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio
Oriente.
No
início da guerra (1914),
a Itália era aliada dos Impérios Centrais
na Tríplice Aliança, mas, considerando que a aliança tinha carácter defensivo
(e a guerra havia sido declarada pela Áustria) e a Itália não havia sido
preventivamente consultada sobre a declaração de guerra, o governo italiano
afirmou não se sentir vinculado à aliança e que, portanto, permaneceria neutro.
Mais tarde, as pressões diplomáticas da Grã-Bretanha
e da França
fizeram-na firmar em 26 de abril de 1915 um pacto secreto
contra o aliado austríaco, chamado Pacto de Londres, no qual a Itália se
empenharia a entrar em guerra decorrido um mês em troca de algumas conquistas
territoriais que obtivesse ao fim da guerra: o Trentino, o Tirol
Meridional, Trieste,
Gorizia, Ístria (com
exceção da cidade de Fiume),
parte da Dalmácia,
um protetorado sobre a Albânia, sobre algumas ilhas do Dodecaneso
e alguns territórios do Império Turco, além de uma expansão das colônias
africanas, às custas da Alemanha (a Itália já possuía na África: a Líbia, a Somália e a Eritreia). O
não-cumprimento das promessas feitas à Itália foi um dos fatores que a levaram
a aliar-se ao Eixo na Segunda Guerra Mundial.
Em
1917, a Rússia
abandonou a guerra em razão do início da Revolução. No mesmo ano, os EUA, que até então só
participavam na guerra como fornecedores, ao ver os seus investimentos em
perigo, entram militarmente no conflito, mudando totalmente o destino da guerra
e garantindo a vitória da Tríplice Entente.
Muitos
dos combates na Primeira Guerra Mundial ocorreram nas frentes ocidentais, em
trincheiras e fortificações (separadas pelas "Terras de Ninguém", que
era o espaço entre cada trincheira, onde vários cadáveres ficavam à espera do
recolhimento) do Mar do Norte até a Suíça. As
batalhas davam-se em invasões dinâmicas, em confrontos no mar, e pela primeira vez
na história, no ar.
O
saldo foi de mais de 19 milhões de mortos, dos quais 5% eram civis. Na
Segunda Guerra Mundial, este número aumentou
em 60%.
O
conflito rompeu definitivamente com a antiga ordem mundial criada após as Guerras Napoleônicas, marcando a derrubada do absolutismo
monárquico
na Europa.
Três
impérios europeus foram destruídos e consequentemente desmembrados: Alemão, o Austro-Húngaro e o Russo.
Nos Bálcãs
e no Médio Oriente o mesmo ocorreu com o Império Turco-Otomano. Dinastias imperiais
europeias como as das famílias Habsburgos, Romanov e Hohenzollern, que vinham dominando politicamente a Europa e cujo poder
tinha raízes nas Cruzadas, também caíram durante os quatro anos de guerra.
O
fracasso da Rússia na guerra acabou
contribuindo para a queda do sistema czariano, servindo de catalisador para a Revolução Russa que inspirou outras em países tão
diferentes como China
e Cuba, e que serviu
também, após a Segunda Guerra Mundial, como base para a Guerra Fria.
No Médio Oriente o Império Turco-Otomano foi substituído pela República da Turquia e muitos territórios por
toda a região acabaram em mãos inglesas e francesas. Na Europa
Central os novos estados Tchecoslováquia,
Finlândia,
Letônia, Lituânia, Estônia e Iugoslávia
"nasceram" depois da guerra e os estados da Áustria, Hungria e Polônia
foram redefinidos. Pouco tempo depois da guerra, em 1923, os Fascistas
tomaram o poder na Itália. A derrota da Alemanha na guerra e o fracasso
em resolver assuntos pendentes no período pós-guerra, alguns dos
quais haviam sido causas da Primeira Guerra, acabaram por criar condições para
a ascensão do Nazismo
quatorze anos depois e para a Segunda Guerra Mundial em 1939, vinte anos
depois.
História
Declaração
de guerra do Império Alemão em 1914.
Após
o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 28
de Junho, o Império Austro-Húngaro esperou três semanas
antes de decidir tomar um curso de ação. Essa espera foi devida ao fato de que
grande parte do efetivo militar estava na ajuda a colheita, o que
impossibilitava a ação militar naquele período. Em 23 de Julho,
graças ao apoio incondicional alemão (carta branca) ao Império Austro-Húngaro se a guerra eclodisse,
foi-se mandando um ultimato a Sérvia que
continha várias requisições, entre elas a que agentes austríacos fariam parte
das investigações, e que a Sérvia seria a culpada pelo atentado. O governo sérvio aceitou
todos os termos do ultimato, com exceção da participação de agentes austríacos,
o que na opinião sérvia constituía uma violação de sua soberania.
Por
causa desse termo, rejeitado em resposta sérvia em 26 de Julho,
o Império Austro-Húngaro cortou todas as
relações diplomáticas com o país e declarou guerra ao mesmo em 28 de Julho,
começando o bombardeio à Belgrado (capital sérvia) em 29 de Julho.
No dia seguinte, a Rússia, que sempre tinha sido uma aliada da Sérvia, deu a
ordem de locomoção a suas tropas. Os alemães, que tinham garantido o apoio ao Império Austro-Húngaro no caso de uma
eventual guerra
mandaram um ultimato ao governo russo para parar a mobilização de tropas dentro
de 12 horas, no dia 31. No primeiro dia de Agosto o ultimato
tinha expirado sem qualquer reação russa. A Alemanha então declarou-lhe guerra. Em 2 de Agosto
a Alemanha ocupou Luxemburgo,
como o passo inicial da invasão à Bélgica e do
Plano Schlieffen (que previa a invasão da França e da Rússia). A Alemanha tinha enviado outro ultimato, desta vez à Bélgica,
requisitando a livre passagem do exército alemão rumo à França. Como
tal pedido foi recusado, foi declarada guerra à Bélgica.
Em
3
de Agosto a Alemanha declarou guerra à França, e no dia
seguinte invadiu a Bélgica. Tal ato, violando a soberania belga - que Grã-Bretanha, França e a
própria Alemanha estavam comprometidos a garantir fez com
que o Império Britânico saísse da sua posição neutra e
declarasse guerra
à Alemanha em 4 de Agosto.
O início dos confrontos
Alianças
militares europeias em 1915.
A Tríplice Aliança está representada em castanho, a Tríplice Entente em verde e as nações neutras em
pêssego.
Algumas
das primeiras hostilidades de guerra ocorreram no continente
africano e no Oceano Pacífico, nas colônias e
territórios das nações europeias. Em Agosto de 1914 um combinado da França e do Império Britânico invadiu o protetorado alemão da
Togoland, no Togo.
Pouco depois, em 10 de Agosto, as forças alemãs baseadas na Namíbia
atacaram a África do Sul, que pertencia ao Império Britânico. Em 30 de
Agosto a Nova Zelândia invadiu a Samoa, da Alemanha; em 11
de Setembro a Força Naval e Expedicionária Australiana desembarcou na ilha
de Neu Pommern (mais tarde renomeada Nova Britânia), que fazia parte da
chamada Nova Guinéa Alemã. O Japão invadiu as
colônias micronésias e o porto alemão de abastecimento de carvão de Qingdao na
península chinesa
de Shandong.
Com isso, em poucos meses, a Tríplice Entente tinha dominado todos os
territórios alemães no Pacífico. Batalhas esporádicas, porém,
ainda ocorriam na África.
Na
Europa, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro sofriam de uma mútua
falta de comunicação e desconhecimento dos planos de cada exército. A Alemanha tinha garantido o apoio à invasão Austro-Húngara a Sérvia, mas a
interpretação prática para cada um dos lados tinha sido diferente. Os líderes
do Austro-Húngaros acreditavam que a Alemanha daria cobertura ao flanco setentrional
contra a Rússia. A Alemanha, porém, tinha planejado que o Império Austro-Húngaro focasse a maioria de
suas tropas na luta contra a Rússia enquanto combatia a França na
Frente Ocidental. Tal confusão forçou o exército Austro-Húngaro a dividir suas
tropas. Mais da metade das tropas foi combater os russos na fronteira, enquanto
um pequeno grupo foi deslocado para invadir e conquistar a Sérvia.
A Batalha Sérvia
Tropas
austríacas
executando prisioneiros sérvios.
O
exército sérvio lutou em uma batalha defensiva para
conter os invasores austro-húngaros. Os sérvios ocuparam posições
defensivas no lado sul do rio Drina. Nas duas primeiras semanas os ataques
austro-húngaros foram repelidos causando grandes perdas ao exército da Tríplice Aliança. Essa foi a primeira grande
vitória da Tríplice Entente na guerra. As
expectativas austro-húngaras de uma vitória fácil e rápida não foram realizadas
e como resultado o Império Austro-Húngaro foi obrigado a manter
uma grande força na fronteira sérvia, enfraquecendo as tropas que batalhavam
contra a Rússia.
Alemanha na Bélgica e França
Após
invadir o território belga, o exército alemão logo encontrou resistência na
fortificada cidade de Liège. Apesar do exército ter continuado a rápida marcha rumo à
França, a
invasão germânica tinha provocado a decisão britânica de intervir em ajuda a Tríplice Entente. Como signatário do Tratado de Londres, o Império Britânico estava comprometido a preservar
a soberania belga.
Para a Grã-Bretanha os portos de Antwerp e
Ostend eram importantes demais para cair nas mãos de uma potência continental
hostil ao país.[1]
Para tanto, enviou um exército para a Bélgica,
atrasando o avanço alemão.
Inicialmente
os mesmos tiveram uma grande vitória na Batalha das Fronteiras (14 de
Agosto a 24 de Agosto de 1914). A Rússia,
porém, atacou a Prússia Oriental, o que obrigou o deslocamento das tropas
alemãs que estavam planejadas para ir a Frente Ocidental. A Alemanha derrotou a Rússia
em uma série de confrontos chamados da Segunda Batalha de Tannenberg (17 de
Agosto a 2 de Setembro de 1914). O deslocamento
imprevisto para combater os russos, porém, acabou permitindo uma
contra-ofensiva em conjunto das forças francesas e inglesas, que conseguiram
parar os alemães em seu caminho para Paris, na Primeira Batalha do Marne (Setembro de 1914), forçando o
exército alemão a lutar em duas frentes. O mesmo se postou numa posição
defensiva dentro da França e conseguiu incapacitar permanentemente 230.000
franceses e britânicos.
A Guerra das Trincheiras
Nas
trincheiras: Infantaria com mascáras de gás, Ypres, 1917.
Os
avanços na tecnologia militar significaram na prática um poder de fogo
defensivo mais poderoso que as capacidades ofensivas, tornando a guerra
extremamente mortífera. O arame farpado era um constante obstáculo para os
avanços da infantaria; a artilharia, muito mais letal que no século
XIX, armada com poderosas metralhadoras.
Os alemães começaram a usar gás tóxico em 1915, e logo depois,
ambos os lados usavam da mesma estratégia. Nenhum dos lados ganhou a guerra pelo uso de
tal artifício, mas eles tornaram a vida nas trincheiras ainda mais miserável
tornando-se um dos mais temidos e lembrados horrores de guerra.
Numa
nota curiosa, temos que no início da guerra, chegado a primeira época
natalícia, se encontram relatos de os soldados de ambos os lados cessarem as
hostilidades e mesmo saírem das trincheiras e cumprimentarem-se. Isto ocorreu
sem o consentimento do comando, no entanto, foi um evento único. Não se repetiu
posteriormente por diversas razões: o número demasiado elevado de baixas
aumentou os sentimentos de ódio dos soldados e o comando, dados os
acontecimentos do primeiro ano, tentou usar esta altura para fazer propaganda,
o que levou os soldados a desconfiar ainda mais uns dos outros.
A
alimentação era sobretudo à base de carne e vegetais enlatados e biscoitos,
sendo os alimentos frescos uma raridade.
Fim da Guerra
A
partir de 1917 a
situação começou a alterar-se, quer com a entrada em cena de novos meios, como
o carro de combate e a aviação militar, quer com a chegada ao teatro de
operações europeu das forças norte-americanas ou a substituição de comandantes
por outros com nova visão da guerra e das tácticas e estratégias mais
adequadas; lançam-se, de um lado e de outro, grandes ofensivas, que causam
profundas alterações no desenho da frente, acabando por colocar as tropas alemãs
na defensiva e levando por fim à sua derrota. É verdade que a Alemanha adquire
ainda algum fôlego quando a revolução estala no Império
Russo e o governo bolchevista, chefiado por Lênin,
prontamente assina a paz sem condições, assim anulando a frente leste, mas essa
circunstância não será suficiente para evitar a derrota. O armistício que põe fim à guerra é assinado
a 11
de Novembro de 1918.
Causas
Em
28
de Junho de 1914,
o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do
trono Austro-Húngaro, e sua esposa Sofia, Duquesa de Hohenberg, foram
assassinados pelo sérvio Gavrilo Princip, que pertencia ao grupo
nacionalista-terrorista armado Mão Negra
(oficialmente chamado "Unificação ou Morte"), que lutava pela
unificação dos territórios que continham sérvios.
O
assassinato desencadeou os eventos que rapidamente deram origem à guerra, mas suas
verdadeiras causas são muito mais complexas. Historiadores e políticos têm
discutido essa questão por quase um século sem
chegar a um consenso. Algumas das melhores explicações estão listadas abaixo:
Corrida armamentista
A
corrida naval entre Inglaterra e Alemanha foi intensificada em 1906 pelo surgimento do
HMS
Dreadnought, revolucionário navio de guerra. Uma evidente corrida
armamentista na construção de navios desdobrava-se entre as duas nações. O
historiador Paul Kennedy argumenta que ambas as nações acreditavam
nas teorias de Alfred Thayer Mahan, de que o
controle do mar era
vital a uma nação.
O
também historiador David Stevenson descreve a
corrida como um "auto reforço de um ciclo de elevada prontidão
militar", enquanto David Herrman via a rivalidade
naval como parte de um grande movimento para a guerra. Contudo, Niall Ferguson argumenta que a
superioridade britânica na produção naval acabou por transformar tal corrida
armamentista em um fator que não contribuiu para a movimentação em direção a guerra.
Militarismo e Autocracia
O
Kaiser,
propaganda militar humorística francesa.
O
presidente dos EUA Woodrow
Wilson e outros observadores americanos culpam o militarismo pela guerra. A tese é
que a aristocracia
e a elite militar tinham um controle grande demais sobre a Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro, e que a guerra seria a
consequência de seus desejos pelo poder militar e o desprezo pela democracia.
Consequentemente, os partidários dessa teoria pediram pela abdicação de tais
soberanos, o fim do sistema aristocrático e o fim do militarismo - tudo isso
justificou a entrada americana na guerra depois que a Rússia czarista abandonou a Tríplice Entente. Wilson
esperava que a Liga das Nações e um desarmamento universal poderia
resultar numa paz, admitindo-se algumas variantes do militarismo como nos
sistemas políticos da Inglaterra e França.[4]
Imperialismo Econômico
Lênin
era um famoso defensor de que o sistema imperialista vigente no mundo era o
responsável pela guerra.
Para corroborar as suas ideias ele usou as teorias econômicas de Karl Marx e
do economista inglês John A. Hobson, que antes já tinha previsto as
consequências do imperialismo econômico na luta interminável por novos
mercados, que levaria a um conflito global, em seu livro de 1902 chamado "Imperialismo".[5]
Tal argumento provou-se convincente no início imediato da guerra e ajudou no
crescimento do Marxismo
e Comunismo
no desenrolar do conflito. Os panfletos de Lênin
de 1917, "Imperialismo:
O Último Estágio do Capitalismo", tinham como argumento que os
interesses dos bancos em várias das nações capitalistas/imperialistas tinham
levado à guerra.[6]
Nacionalismo, Romantismo e a
"Nova Era"
Recrutamento
de britânicos
para a guerra, a exemplo da onda nacionalista
que varria o continente
europeu.
Os
líderes civis das nações europeias estavam na época enfrentando uma onda de
fervor nacionalista que estava se espalhando pela Europa há anos,
como memórias de guerras
enfraquecidas e rivalidades entre povos, apoiados por uma mídia sensacionalista
e nacionalista. Os frenéticos esforços diplomáticos para mediar a rixa entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia foram
irrelevantes, já que a opinião pública naquelas nações pediam pela guerra para
defender a chamada honra nacional. Já a aristocracia
exercia também forte influência pela guerra, acreditando
que ela poderia consolidar novamente seu poder doméstico. A maioria dos
beligerantes pressentiam uma rápida vitória com consequências gloriosas. O
entusiasmo patriótico e a euforia presentes no chamado Espírito de 1914
revelavam um grande otimismo para o período pós-guerra.
A Culminação da História Europeia
A
guerra localizada entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia teve
como principal (e quase único) motivo o Pan-eslavismo,
o movimento separatista dos Bálcãs. O
Pan-eslavismo
influenciava a política externa russa, principalmente pelos cidadãos eslavos no país e
os desejos econômicos de um porto em águas quentes.[7]
O desenrolar da Guerra dos Balcãs refletia essas novas
tendências de poder das nações europeias. Para os germânicos, tanto as Guerras Napoleónicas quanto a Guerra dos Trinta Anos foram
caracterizados por invasões que tiveram um grande efeito psicológico; era a
posição precária da Alemanha no centro da Europa que tinha
levado a um plano ativo de defesa como o Plano
Schlieffen [8].
Ao mesmo tempo a transferência da disputada Alsácia e Lorena e a derrota na Guerra franco-prussiana influenciaram a
política francesa, dando origem ao chamado revanchismo. Após a Liga dos
Três Impérios ter se desmanchado, a França formou
uma aliança com a Rússia, e a guerra por duas frentes começou a se tornar uma preocupação
para o exército alemão.
Brasil na Primeira Guerra
O
nono presidente do Brasil, Venceslau
Brás, declara guerra aos Poderes Centrais. Ao seu lado, o ministro
interino das Relações Exteriores Nilo
Peçanha (em pé) e o presidente de Minas Gerais
Delfim
Moreira (sentado).
No
dia 5
de abril de 1917,
o vapor brasileiro "Paraná", que navegava de acordo com as exigências
feitas a países neutros, foi torpedeado, supostamente por um submarino
alemão. No dia 11 de abril o Brasil rompeu
relações diplomáticas com os países do bloco liderado pela Alemanha. Em 20 de maio,
o navio "Tijuca" foi torpedeado perto da costa francesa. Nos
meses seguintes, o governo Brasileiro confiscou 42 navios alemães, austro-húngaros
e turco-otomanos que estavam em portos
brasileiros, como uma indenização
de guerra.
No
dia 23
de outubro de 1917,
o cargueiro
nacional "Macau", um dos navios arrestados, foi torpedeado por um
submarino
alemão, perto da costa da Espanha, e seu comandante feito prisioneiro. Com a pressão
popular contra a Alemanha, no dia 26
de outubro de 1917
o país declarou guerra aos Poderes Centrais.
A
partir deste momento, por um lado, sob a liderança de políticos como Ruy
Barbosa recrudesceram agitações de caráter nacionalista, com comícios
exigindo a "imperiosa necessidade de se apoiar os Aliados com ações"
para por fim ao conflito. Por outro lado, sindicalistas, anarquistas e
intelectuais como Monteiro Lobato criticavam essa postura e
a possibilidade de grande convocação militar, pois segundo estes, entre outros
efeitos negativos isto desviava a atenção do país em relação a seus problemas
internos.
Assim,
devido a várias razões, de conflitos internos à falta de uma estrutura militar
adequada, a participação militar do Brasil no conflito foi muito pequena;
resumindo-se no envio ao front ocidental em 1918 de um grupo de
aviadores do Exército e
da Marinha que foram integrados à Força Aérea Real Britânica e de um corpo médico-militar, composto
por oficiais e sargentos do exército que foram integrados ao exército francês, tendo seus membros tanto
prestado serviços na retaguarda como participado de combates no front. A
Marinha também enviou uma divisão naval com a
incumbência de patrulhar a costa noroeste da África a
partir de Dakar e
o Mediterrâneo
desde o estreito de Gibraltar, evitando a ação de submarinos inimigos.
Portugal na Primeira Guerra
Portugal
participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de
acordo com as orientações da República ainda recentemente instaurada.
Na
primeira etapa do conflito, Portugal participou, militarmente, na guerra com o
envio de tropas para a defesa das colónias africanas ameaçadas pela Alemanha.
Face a este perigo e sem declaração de guerra, o Governo português enviou
contingentes militares para Angola e Moçambique.
Em
Março de 1916,
apesar das tentativas da Inglaterra para que Portugal não se envolvesse no
conflito, o antigo aliado português decidiu pedir ao estado português o
apresamento de todos os navios germânicos na costa lusitana. Esta atitude
justificou a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de
Março de 1916
(apesar dos combates em África desde 1914).
Em
1917, as primeiras
tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português,
seguiam para a guerra na Europa, em direcção à Flandres.
Portugal envolveu-se, depois, em combates em França.
Neste
esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas
atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos económicos
e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os objectivos que
levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados
na sua totalidade. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a
instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926.
Conseqüências – Crimes de Guerra
Ossadas
de vítimas do genocídio armênio em Erzingan, na Turquia.
A
limpeza étnica da população armênica durante os anos finais do Império Turco-Otomano é amplamente
considerada como um genocídio. Com a guerra em curso, os turcos acusaram toda a
população armênica, cristãos em sua maioria, de serem aliados da Rússia,
utilizando-se disso como pretexto para lidar com toda a minoria considerando-a
inimiga do império. É dificil definir o número exato de mortos do período,
sendo estimado por diversas fontes para quase um milhão de pessoas mortas em
campos de concentração, excluindo-se as que morreram por outros motivos. Desde
o evento os governos turcos têm sistematicamente negado as acusações de genocídio,
argumentando que os armênicos morreram por uma guerra estar em curso ou que sua
matança foi justificada pelo apoio dado aos inimigos do país.
Tecnologia
Exército
britânico utilizando uma metralhadora Vickers.
A
Primeira Guerra Mundial foi uma mistura de tecnologia do século XX com tácticas
do século XIX.
Muitos
dos combates durante a guerra envolveram a guerra das
trincheiras, onde milhares de soldados por vezes morriam só para ganhar um
metro de terra. Muitas das batalhas mais sangrentas da história ocorreram
durante a Primeira Guerra Mundial. Tais batalhas incluiam Ypres,
Vimy,
Marne, Cambrai, Somme,
Verdun, e de Gallipoli. A artilharia foi a
responsável pelo maior número de baixas durante a guerra.
Tanque
de guerra britânico capturado pelos Alemães durante a Primeira Guerra Mundial.
Neste
conflito estiveram envolvidos cerca de 65 milhões de soldados e destacaram-se
algumas figuras militares, como o estrategista da Batalha
do Marne, o general francês Joffre,
o general Ferdinand Foch, também da mesma nacionalidade, que
veio a assumir o controle das forças aliadas, o general alemão Von Klück, que esteve às portas de Paris, general
britânico John
French, comandante do Corpo Expedicionário
Britânico e o comandante otomano Kemal
Ataturk, vencedor na Batalha de Gallipoli contra a Inglaterra
e o ANZAC (Austrália
e Nova Zelândia).
A guerra
química e o bombardeamento aéreo foram utilizados pela primeira vez em
massa na Primeira Guerra Mundial. Ambos tinham sido tornados ilegais após a
Convenção Hague de 1907. Os aviões
foram utilizados pela primeira vez com fins militares durante a Primeira Guerra
Mundial. Inicialmente a sua utilização consistia principalmente em missões de
reconhecimento, embora tenha depois se expandido para ataque ar-terra e
atividades ar-ar, como caças. Foram desenvolvidos bombardeiros estratégicos
principalmente pelos alemães e pelos britânicos, já tendo os alemães utilizado zeppelins para bombardeamento
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